“Em sessão por videoconferência, o plenário do Senado aprovou, nesta segunda-feira, 30, o projeto que prevê o pagamento de auxílio de 600 reais para trabalhadores informais, apelidado de ‘coronavoucher’, em votação simbólica onde todos os partidos encaminharam às bancadas a orientação para se votar a favor do projeto, contemplado por unanimidade, com 79 votos a favor. De relatoria do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), o projeto segue para a sanção do presidente Jair Bolsonaro.”¹

“Fundo Esperança libera mais R$ 100 milhões de crédito para micro e pequenos empresários do Parᔲ

No século XIX, houve um grande nome intelectual do pensamento democrático na França. Seu nome era Alexis-Charles-Henri Clérel, o visconde de Tocqueville, chamado de Alexis de Tocqueville (1805-1859).

Tocqueville, quando meditava sobre as funções do Estado e sua atuação na esfera econômica dos indivíduos de uma sociedade, entendeu que o governo, nessa área, deveria se esforçar para habituar seus governados a cada vez mais não dependerem do próprio governo.

Ele escreveu: “O maior cuidado de um Governo deveria ser o de habituar, pouco a pouco, os povos a dele não precisar.” Isso é nada mais que pensar no Estado como alguém que apoia e ajuda os homens a andarem com as suas próprias pernas. E por que Tocqueville chegou a essa conclusão?

Bom, Tocqueville era um visconde – título nobiliárquico de categoria superior à de barão e inferior à de conde. Ele estava habituado com o poder e sabia que a maioria dos governantes e poderosos estão sempre buscando fazer a manutenção de seus poderes políticos. O modo mais fácil e comum de fazer isso é tornarem-se cada vez mais necessários na vida das pessoas. Essa ânsia dos políticos de serem necessários aos cidadãos dão a impressão que os tais são bondosos em tempos de crise, promovendo decretos intervencionistas, congelamento de preços, taxação de grandes fortunas, bolsas… mas, na verdade, essas práticas tratam-se de uma bondade maléfica, devido os seus motivos.

Não pense, caro leitor, que o que Tocqueville refletiu é aplicável somente ao contexto da velha França e aos políticos do século XIX. Estamos vivendo momentos de dificuldade no Brasil de hoje. A epidemia do coronavírus (Covid-19) está impactando diretamente o funcionamento adequado do mercado de negociações. As demissões, as descapitalizações familiares e as dívidas empresariais só aumentam com o passar dos dias.

Com isso, o Estado em geral com seus políticos ególatras estarão nesses dias se aproveitando das necessidades urgentes para remontarem o assistencialismo, que nada mais é que quebrar suas pernas para lhe dar um médico e um gesso e, lhe fazer dependente de quem é detentor por lei do médico e, do gesso. Mais uma vez: nada mais que uma bondade maléfica.

Seguindo a filosofia das motivações de Santo Agostinho (354-430 d.C.), entendemos na obra Confissões, a dinâmica da “bondade maléfica” que me refiro, da qual o padre denunciou já em sua época, naqueles aparentes grandes homens de virtude.

A bondade maléfica trata-se de ações de pessoas que se gloriam de serem caridosas, mas se alegram – ainda que de modo oculto no coração – na miséria alheia, para que assim seus desejos narcisistas de ostentar virtudes (como a compaixão) sejam viáveis. Assim temos a bondade maléfica. São atos justos, com motivações e interesses iníquos.

Os governantes também possuem essa sanha; é um dado histórico principalmente nas políticas de Esquerda. Por isso, precisaremos nos atentar nesse momento para essa artimanha governamental.

Estamos em tempo de necessidade. Pelo desejo ímpio de se tornarem importantes e insubstituíveis na econômica individual, os governantes sem escrúpulos desejam e comemoram – como os antigos homens de virtude – as crises e tristezas muito mais que a saúde, a paz e a alegria da sociedade. Pois, eis a chance de saciarem a sede por importância! Por permanência no poder! Por aplausos e reconhecimento! Por praticarem uma bondade, mas uma bondade maléfica.

 

¹ https://veja.abril.com.br/economia/senado-aprova-auxilio-de-r-600-para-trabalhadores-informais/

² https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2020/03/27/fundo-esperanca-libera-mais-r-100-milhoes-de-credito-para-micro-e-pequenos-empresarios-do-para.ghtml

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