Nossa história se inicia na era de ouro do Brasil. Foi no ano de 1856 que o Imperador Dom Pedro II organizou o Corpo Provisório de Bombeiros da Corte do Império do Brazil. Para tal reuniu sob uma mesma administração as diversas seções que até então existiam para o serviço de extinção de fogo nos Arsenais de Guerra e de Marinha, Repartição de Obras Públicas e Casa de Correção. A criação do Corpo Provisório de Bombeiros da Corte consta do Decreto Imperial n° 1775, de 02 de julho de 1856.

Poucos dias depois, a 26 de julho, foi nomeado Diretor-Geral da Corporação o Major do Corpo de Engenheiros João Baptista de Castro Moraes Dantas. No mesmo ano da sua criação, o Corpo de Bombeiros recebeu a primeira bomba a vapor, especialmente destinada aos incêndios à beira-mar e que podia ser usada também para a extinção de fogo a bordo de navios.

Bomba a vapor de Enfield, mais moderno equipamento de combate à incêndio da época.

O Material de combate compunha-se basicamente de quatro bombas manuais, algumas escadas, baldes de lona, mangueiras e cordas. Os bombeiros tinham como principal característica o porte atlético, além da disposição física aliada a uma coragem destacada e um caráter íntegro.

Incêndio ocorrido na noite de 23 de agosto de 1789 no edifício do Recolhimento do Parto, contíguo à Igreja de Nossa Senhora do Parto, na tela de Leandro Joaquim (ca. 1738- ca. 1798).

Bombeiro Civil

Em 1875, surge a Turma de Bombeiros, um grupo de 10 homens com conhecimento de combate à incêndio, que solicita serem agregados à Guarda Civil. A Turma de Bombeiros agregados a Guarda Civil de 1875 é a origem do Bombeiro Profissional Civil no Brasil.

Somente em 15 de julho de 1880, pelo Decreto nº 7666, foram concedidas aos oficiais da Corporação graduações militares, com o uso das respectivas insígnias. Ao Diretor-Geral foi conferida a patente de Tenente-Coronel, ao ajudante a de Major, aos comandantes de seções a de Capitão e aos instrutores a de Tenente.

Até a promulgação do referido decreto, apesar de militarmente organizado e aquartelado, o Corpo de Bombeiros não era considerado como unidade militar. Seus oficiais não podiam usar insígnias nem mesmo no quartel. E quando concorriam em serviço com outras autoridades militares eram tidos como simples soldados. É somente a partir da publicação deste decreto que começa a verdadeira organização militar da Corporação, confirmada posteriormente no regulamento de 1881.

Em 1882 os Bombeiros passam a integrar as Polícias Militares das províncias do Império.

Após vasto período em que a atenção do país voltou-se à guerra ideológica e não ao progresso, em 2009, no Brasil Republicano, surge então uma legislação federal com o objetivo de padronização e regulamentação da profissão do Bombeiro Civil, a Lei 11.901.

Existem, portanto duas classificações de Bombeiros, que possuem atividades complementares: Bombeiro Público e Bombeiro Civil.

Bombeiro Público

O Bombeiro Público em sua maior parte no Brasil é o Bombeiro Militar incorporado na Polícia Militar de um estado. Mas pode ser também Bombeiro Voluntário, e o maior exemplo dessa forma no Brasil é o Grupo de Bombeiros Voluntários de Joinville, SC. Sua função consiste em atuar na prevenção de incêndios, fiscalização de edificações, atendimento de emergências diversas desde operações de busca e resgate, atividades de Defesa Civil como calamidades por tempestades, a Atendimento Pré Hospitalar de origens diversas, em ambientes públicos ou privados.

Já o Bombeiro Civil é o profissional que atua na prevenção e combate à incêndio e atendimento a emergências em ambientes privados ou eventos, buscando sempre salvaguardar vidas em primeiro objetivo e em segundo o patrimônio do seu empregador.

O nome Bombeiro

Não seria completo o estudo se não apresentasse a origem da palavra Bombeiro!

Vamos viajar mais ainda no passado, voltando antes do ano 1400, ao país que planejou o Brasil, nossos antecessores portugueses:

O termo Bombeiro está relacionado às bombas de água, um dos equipamentos mais importantes no combate aos sinistros e os mais avançados para a época em que foram introduzidas, em Lisboa, no ano de 1734. Neste ano foram adquiridas quatro bombas de fabricação inglesa, já possuindo uma em utilização no país.

Carro bomba à tração animal com bombeiros portugueses.

Em Portugal

A história dos bombeiros portugueses começa com El-Rei D. João I de Portugal que, através da Carta Régia de 23 de Agosto de 1395, tomou a primeira iniciativa em promulgar a organização do primeiro Serviço de Incêndios de Lisboa, ordenando que: “…em caso que se algum fogo levantasse, o que Deus não queria, que todos os carpinteiros e calafates venham àquele lugar, cada um com seu machado, para haverem de atalhar o dito fogo. E que outros sim todas as mulheres que ao dito fogo acudirem, tragam cada uma seu cântaro ou pote para acarretar água para apagar o dito fogo”.

No entanto, apenas em 1646, no Reinado de D. João IV, houve uma tentativa de praticar em Lisboa o sistema usado em Paris, tendo o Senado aprovado a aquisição de materiais e equipamentos e concedendo prerrogativas a nível de remunerações e de habitações.

A instalação, em Lisboa, dos três primeiros “quartéis”, foi decidida por D. Afonso VI, em 28 de Março de 1678: “O Senado ordenará, com toda a brevidade, que nesta cidade haja três armazéns… e que estejam providos de todos os instrumentos que se julgarem necessários para se acudir aos incêndios, e escadas dobradas de altura competente, para que, com toda a prontidão, se possam remediar logo no princípio…”

Três anos depois, em 1681, foram compradas, na Holanda, duas bombas e uma grande quantidade de baldes de couro, sendo distribuídos 50 por cada bairro. Os pedreiros, os carpinteiros e outros mestres passaram a ser alistados para o combate aos sinistros, ficando sujeitos a uma pena de prisão por cada incêndio a que não comparecessem.

No reinado do D. João V, em 1722, é fundada no Porto a Companhia do Fogo ou da Bomba, constituída por 100 homens práticos, capazes de manobrarem a “Bomba, machados e fouces”.

A primeira Companhia de Bombeiros de Lisboa foi criada em 17 de Julho de 1834 pela Câmara Municipal e ficou também conhecida por Companhia do Caldo e do Nabo. O compositor Guilherme Cossoul foi o 1º Bombeiro Voluntário e fundador da Companhia de Voluntários Bombeiros de Lisboa, criada em 1868, passando a Associação de Bombeiros Voluntários em 1880.

Bombeiros voluntários de Lisboa.

A partir do ano 1868, foram introduzidas as bombas a vapor, gerando a obrigatoriedade dos proprietários instalarem “bocas de incêndio” nos prédios (seriam os nossos atuais hidrantes de recalque). Apareceu também a escada Fernandes, e foi instituída a classe de Bombeiros permanentes, os Sapadores.

A Real Associação de Bombeiros Voluntários da Ajuda foi fundada em 10 de Abril de 1880. O seu primeiro comandante foi o Infante D. Afonso Henriques de Bragança. A RABVA recebeu o alvará de Real Associação em 2 de Maio de 1881 e funcionava como sede numa parte do próprio Palácio da Ajuda.

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