Itamar Flávio da Silveira*

“É a riqueza que deve ser explicada. A pobreza e a escassez são da natureza da vida humana”. (Luiz Felipe Pondé).

Quando alguém agindo em legítima defesa de sua família, de sua propriedade ou de sua própria vida, fere um assaltante entendemos que ele não deve ser preso. Aquilo que seria um direito natural de todo cidadão é, na maioria das vezes, visto pela justiça como um ato condenável e que o seu autor deva ser preso. É isto que estamos acostumados a ver nos noticiários. Na maioria das vezes o jornalista está mais preocupado em saber se a arma que evitou o assalto tem registro e se o cidadão tinha porte de arma. O conjunto da matéria jornalística é sempre no sentido de desestimular o cidadão de bem a promover a autodefesa.

Os delinquentes além de contar com a ineficiência da polícia e da parcialidade da Justiça conta também com o apoio tácito da opinião publicada (que é diferente de opinião pública). Assim os delinquentes tem sempre a possibilidade de continuarem soltos cometendo mais crimes. Isto revolta muita gente. Mas as pessoas não entendem que esta inversão de valores não é obra do acaso. Trata-se de uma elaboração teórica refinada que vem sendo imposta à sociedade em doses homeopáticas há muitas décadas.

A inversão de valores tem sua base mais sólida na análise trapaceira feita por F. Engels em meado do século XIX. Em A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra há uma interpretação marota da realidade com o intuito de responsabilizar a sociedade capitalista por todos os males vividos pelos pobres da Inglaterra, vendendo a ideia de que antes do trabalho fabril os pobres desfrutavam de uma vida bucólica e feliz no campo. Engels, ao descrever a vida calamitosa de parte da classe operária, procurou mostrar que a Revolução Industrial teria piorado a vida dos pobres. Quando na verdade os pobres estavam ascendendo sensivelmente, como Mises mostra em As Seis Lições:

“É fato que o ódio ao capitalismo nasceu não entre o povo, não entre os próprios trabalhadores, mas em meio à aristocracia fundiária – a pequena nobreza da Inglaterra e da Europa continental. Culpavam o capitalismo por algo que não lhes era muito agradável: no início do século XIX, os salários mais altos pagos pelas indústrias aos seus trabalhadores forçaram a aristocracia agrária a pagar salários igualmente altos aos seus trabalhadores agrícolas. A aristocracia atacava a indústria criticando o padrão de vida das massas trabalhadoras.” (MISES, p.17).

 

As fábricas contavam com o trabalho infantil porque as crianças tinham sobrevivido e estavam sendo agregadas ao mercado de trabalho. Sem a Revolução Industrial as crianças simplesmente teriam perecido. Como elas sobreviveram, a Inglaterra dobrou sua população num intervalo de 70 anos, passando de 6 milhões de habitantes, em 1760, para 12 milhões em 1830. Mesmo com todas as evidências, a análise falsa de Engels é reproduzida pelos intelectuais até os dias de hoje. A repetição da trapaça por muitas décadas a transformou em verdade.

Vivemos hoje uma completa confusão no uso da linguagem, tornando as coisas muito obscuras. São obstáculos legais impostos aos comunicadores e também entraves gramaticais que resultam do processo de desinformação veiculados como se informação fosse. Nos noticiários percebemos que está em uso uma nova língua colaborando com a inversão de valores.  Podemos dizer que a notícia oficializada pela grande imprensa é a própria desinformação. A notícia mais cara é fake news.

Referências Bibliográficas

ENGELS, F. A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra. São Paulo: Boitempo, ….

MARX, K. & ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Global, 1986.

MISES. L.V. As Seis Lições. São Paulo: Instituto Mises Brasil, 2009.

 

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