A única forma de salvar uma profissão é agregando valor a ela.

Tudo bem, se fosse tão simples assim o pessoal que faz curso de Bombeiro Civil pelos centros de treinamento Brasil afora não estaria trabalhando de qualquer outra coisa, menos de Bombeiro Civil. Mas a culpa é exclusivamente destas pessoas. Calma, eu vou discorrer:

Já deve ter lido em diversos lugares sobre a valorização profissional. Ou até mesmo a valorização de sistemas, como o SUS por exemplo. Mas já tirou um tempo para entender como se dá esta valorização?

Para ilustrar, deixe eu contar como foi que o Oryx foi salvo da extinção (fonte: IG @crishuntbrasil).

O Oryx Branco do Saara é uma espécie rara africana, considerada extinta desde 2000. Bem, a população de Oryx vem sendo repovoada por ninguém menos que os caçadores! Dezenas fazendas de caça no sul do continente vem cuidando da reprodução desta espécie para disponibilizar para caça devido ao alto preço que os caçadores pagam para levar este troféu para casa. Isso gera ótimos lucros para o trabalho em cativeiro com a espécie, resultando em solturas em parques nacionais. Os que não são soltos na natureza, vão para os campos de caça, onde são vendidos para serem abatidos. Isso agrega um valor tremendo ao animal e estima-se que em cerca de 5 anos já será possível avistar rebanhos selvagens pelas dunas do Saara novamente.

Sem hipocrisias, o dinheiro é o que gira o mundo. Isso vale para as grandes corporações, os operários braçais ,os animais, o meio ambiente, tudo. Agregue valor e a coisa anda. Superproteja com burocracia, leis e segurança e desanda…

No caso do Oryx, o milagre do repovoamento vem acontecendo porque as pessoas são boazinhas e gostam dele, ou porque existem leis rígidas que o protegem? Não, isso só é possível porque ele gera lucro, a engrenagem da atividade humana: a pergunta “o que eu ganho com isso?”

Convido a conferir um outro artigo meu, “As Seis Lições na Emergência”, que explicita exatamente como a economia e as políticas de governo tem tudo a ver com o sucesso ou fracasso do profissional de emergência, seja ele um empresário ou um operador.

Sempre que ocorre uma tragédia de vulto, surge o clamor por mais controle, mais regulamentação, mais obrigações. Pois é, mas tudo tem consequência. No caso da burocratização, a conta vem em forma de afastamento do setor privado. O dinheiro vai embora porque aquilo torna-se um poço sem fundo, então só vai ser visto como algo a ser feito quando o fiscal autua, uma obrigação por força policial nada mais.

A estratégia do fracasso

Exigiram um piso salarial ao Bombeiro Civil. O que aconteceu logo em seguida? Os salários foram equiparados no piso. Exigiram uma série de documentações intergaláticas para as escolas poderem formar Bombeiro Civil. A consequência? As escolas agora compram o papel e não mais se importam com a qualidade real do ensino (generalizando para pesar na consciência). Ou vai me dizer que AVCB segura um incêndio de acontecer? Uma ART garante o funcionamento de um sistema de combate? Ou, pior, um diploma garante o conhecimento do profissional?

Exigência e competência são inversamente proporcionais a medida que o primeiro aumenta exponencialmente. Bombeiro, agregue valor a sua profissão. Seja o diferencial. Nas palavras de um amigo, “não deixe que o cliente te busque porque você é necessário pra ele naquele momento. Se faça necessário, sem que o cliente esteja precisando. Mostre ao cliente o porque você é necessário”. Complementando: dê lucro ao cliente!

Técnico de manutenção, técnico de segurança do trabalho e bombeiro civil são profissionais sempre vistos como fonte de gastos em uma corporação, porque não trazem lucros mas sempre consomem uma boa grana com coisas obrigatórias que a empresa jamais compraria se a lei não as prescrevesse.

Vou deixar uma reflexão desafiante aqui: Bombeiro Civil, você é capaz de apontar para o seu empregador onde exatamente o seu honorário se paga dentro da empresa? Se não for, lamento, mas você não tem valor. Duro, mas é a engrenagem da humanidade. Se você não tem valor, não adianta lutar, não subsistirá a menos que uma força maior esteja lhe enfiando goela abaixo do empregador. Ou você alugaria um gerador de energia a diesel, pelo valor de um carro ao mês para sua casa sendo que a companhia de energia elétrica te supre? Entende a analogia?

Quer ser reconhecido e valorizado? Agregue valor. Faça-se necessário! E pare imediatamente de vociferar pedidos por mais leis, mais burocracias, mais entraves, mais exigências esdrúxulas, tabela de salário, etc.

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