Com certeza já viu aqueles caminhões com o retângulo alaranjado na carroceria com alguns números (ou sem números, apenas laranja).

Estes veículos seguem a NBR 7500 que regula o transporte de produtos perigosos.

Imagem ilustrativa

Histórico

Alguém lembra do rastro de fogo na rodovia Anhanguera entre Americana e Limeira-SP em novembro do ano passado? Clique aqui para conferir.

Ou então no último dia de Julho de 2010, quando uma carreta com amônia tombou em Caeté-MG. Link para a matéria.

E em Paraguaçu-MG também em Novembro de 2019 quando várias mortes ilustraram o acidente envolvendo transporte de gás de cozinha e combustível? Confira.

Para terminar minha pequena lista ilustrativa, quem se lembra de Abril de 2010, em Santos-SP, quando as chamas atingiram muitos metros de altura por muitos dias, colocando o Brasil no top 10 de maiores incêndios do mundo? Veja aqui.

Realidade

A questão é que não estamos imunes a este tipo de emergência. Não adianta entulhar de leis que proíbem formas de transporte, obrigam notificações, estabelecem penas altíssimas para os envolvidos. Nenhuma lei jamais irá salvar vidas, elas estão aí apenas para atrapalhar o desenvolvimento econômico.

A segurança é uma consequência da valorização do homem e não do Estado. Quando clamamos por mais leis para regular uma área da economia, estamos colocando o Estado acima do homem e a segurança não vai acontecer.

O Brasil é um dos países mais rígidos em controle burocrático e fiscal para quem ousa trabalhar com produtos perigosos. E mesmo assim nosso ranking de acidentes é altíssimo.

Realidade operacional

Créditos: Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais

Gosto de ilustrar com outro lado da moeda, mostrando ao cidadão comum como age o agente de resposta a determinadas emergências. Esta é a melhor forma de conscientização, quando colocamos o homem no lugar daquele que presta o socorro, fazemos ele pensar duas vezes antes de cometer novamente um ato imprudente.

Vamos conhecer superficialmente como funciona uma resposta a um acidente envolvendo produto perigoso:

Primeiro no local

Na emergência com produtos perigosos, chamamos de primeiro no local o agente que foi designado para se dirigir ao local do acidente envolvendo o transporte de produtos perigosos para constatar os fatos e adotar as primeiras ações protetivas. Portanto, não se confunde com aquele que não possui essa atribuição funcional e por acaso é o primeiro a se deparar com o acidente, este configura o informante do acidente.

O primeiro no local é aquele que realiza a abordagem inicial no cenário acidental, independentemente da instituição ou empresa que represente e cuja atribuição consiste em:

  1. Constatar os fatos
  2. Identificar os produtos envolvidos
  3. Identificar a contaminação efetiva ou potencial do meio ambiente local
  4. Identificar a exposição efetiva ou potencial de pessoas
  5. Sinalizar e isolar o local
  6. Identificar e afastar possíveis fontes de ignição
  7. Afastar curiosos
  8. Acionar as equipes de intervenção e de apoio emergencial
  9. Contribuir no sentido de facilitar o acesso das equipes de intervenção e apoio ao local da ocorrência

Nos casos em que, pelas consequências do acidente, se torne impossível obter as primeiras informações do condutor do veículo ou ter acesso à documentação de transporte, a atenção do primeiro no local deve ser redobrada, considerando as variáveis de riscos que podem estar presentes no veículo acidentado, como por exemplo: o transporte de produtos de classes/ subclasses de riscos diferentes, ausência de identificação da unidade de transporte, a não correspondência da simbologia com o produto transportado ou a ocorrência de reações adversas por incompatibilidade química.

O primeiro no local deve possuir habilidades, experiência e conhecimento suficientes para entender que muitos produtos classificados como perigosos para o transporte podem acarretar danos severos ao homem, mesmo em baixas concentrações.

O primeiro no local deve ainda possuir o discernimento que as tentativas de socorro às vítimas do acidente envolvendo o transporte de produtos perigosos, sem o preparo e os recursos necessários que os produtos requerem, em regra, tendem a agravar a situação e gerar mais vítimas a serem socorridas.

O primeiro no local deve possuir os conhecimentos básicos sobre os perigos intrínsecos dos produtos perigosos, principalmente no que se refere às propriedades de alerta dos produtos, ou seja, características que podem indicar ou mascarar sua presença no ambiente.

Sequência

Fonte: manual Dangerous Goods Regulations. ONU.
  1. Manter uma distância segura em relação ao local do acidente
  2. Posicionar adequadamente a viatura em local mais elevado e posição de fuga
  3. Manter-se de costas para o vento, em relação ao local do acidente
  4. Isolar e sinalizar a área do acidente
  5. Afastar curiosos e pessoas não envolvidas nas ações de resposta
  6. Identificar os produtos a distância, com referência na simbologia e documentos de transporte, bem como os perigos associados ao produto
  7. Identificar a existência de vítimas. Aguardar socorro médico e informar sobre a presença de produto perigoso na cena
  8. Identificar a existência e o porte do vazamento ou derramamento
  9. Identificar possíveis fontes de ignição
  10. Identificar o sistema de drenagem da via e o seu escoamento, bem como galerias subterrâneas e espaços confinados
  11. Construir dique de contenção, barramentos ou qualquer outro dispositivo que possa evitar que o produto atinja as redes de drenagem da via
  12. Verificar possível contaminação de corpo de água e informar de imediato a empresa de abastecimento público de água da região. Informar também sobre a característica do produto vazado ou derramado
  13. Acionar os órgãos de intervenção e apoio, fornecendo informações sobre o acidente e sua exata localização – via, quilometragem, sentido, pontos de referência e acessos alternativos
  14. Orientar as pessoas e não ter contato com o produto ou água contaminada

Nossa parte

Cabe a cada um de nós termos a consciência de que, no trânsito, não manter aquela distância de segurança de um veículo com identificação de carga perigosa pode custar a nossa vida.

A pergunta que deixo de reflexão ao leitor sobre toda a conduta de segurança que negligenciamos no dia a dia é:

Quem te espera?

Isso mesmo, quem te espera? Sua esposa, seu filho, sua mãe, seu avô, quem te espera? Você pensa em quem te espera quando afivela o cinto? Pensa em quem te espera quando pilota a motocicleta pelos corredores? Quando não deixa espaço de segurança no trânsito? Quando não usa equipamento de proteção em alguma atividade de risco? Quando não confere o talabarte e sobe o andaime sem pontos de ancoragem?

A pior situação que um socorrista enfrenta não é a luta entre a vida e a morte da vítima, mas sim o questionamento do familiar sobre o que aconteceu quando está óbvio que houve negligência – ou então a súplica: “faça alguma coisa!”, quando sabe-se que não há mais o que fazer; por culpa da própria vítima.

Então eu questiono: leis salvam?… Atitudes salvam. Leis apenas estabelecem proibições e penalidades.

App

Recomendo um aplicativo para Smartphone onde é possível buscar por produto (descrição ou numeração) suas informações de transporte, informações médicas, riscos potenciais, informações referentes à segurança pública e ações de emergência. Trata-se do Pró-Química Online.

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