Enquanto o fogo mata os animais, os humanos matam seus bebês

O caso da liberação do aborto na Austrália enquanto o país pegava fogo.

Enquanto coalas e cangurus queimam em cenas de partir o coração, desidratados, já quase sem pele e com fumaça saindo de seus corpos, as pessoas arriscam suas vidas para salvá-los. Alguns retiram suas camisas, abrindo mão da própria segurança, entrando em áreas onde o solo e o ambiente atingem mais de 70ºC, derretendo as solas dos calçados e por um tempo literalmente cozinhando seus corpos, para resgatar os pobres animais.

Em direção completamente contrária a esta comoção e esforço sobre-humano, vem a votação de nova legislação que trata o aborto, revertendo decisão que durava por 119 anos na Austrália e criminalizava o aborto; sim, enquanto os humanos protestam pelas mortes dos animais, aprovam leis que autorizam o “abate” de seus próprios bebês, dentro da barriga das mães até a 22ª semana de gestação.

Foram 5,5 milhões de hectares de terra queimados, matando 500 milhões de animais e 18 seres humanos, que se tem notícia. Enquanto a maior tragédia ambiental do país acontecia, o parlamento do estado australiano de Nova Gales do Sul aprovava a reforma na legislação que criminalizava e punia com até 10 anos de prisão o assassinato de bebês.

Agora, em toda Austrália, não somente os animais podem morrer, mas os bebês humanos também têm este “direito”.

Vivemos tempos sombrios e absolutamente contraditórios, onde reclamamos tanto de ineficiência no controle de emergências de porte como os incêndios ambientais, mas não tomamos partido para contribuir com a solução, apenas pedimos ao estado que fique ainda maior e que decida por nós. Choramos por animais, mas nos calamos diante do assassinato legalizado de bebês.

Que os terríveis acontecimentos em solo australiano sirvam de alerta a nós brasileiros, nos fazendo viva a certeza de que precisamos participar das decisões que envolvem a sociedade, tomar partido, lutar pela liberdade e o direito à vida em todos os sentidos. E claro, sermos menos hipócritas, não defendendo os animais e virando as costas aos nossos semelhantes.

* Rodemaker Barbosa é especialista em emergências, instrutor de APH, gestor de crise certificado pela ONU, possui atuação voluntária na Defesa Civil desde 2013, autor entre outras publicações do livro “Operações de busca, fundamentos de busca a pessoa desaparecida“.

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