Entenda o alerta de ciclone no litoral do Brasil

Formação de ciclone sobre o litoral brasileiro aliado à Zona de Convergência do Atlântico Sul, deve proporcionar condições favoráveis para tempo severo e chuva volumosa sobre o sudeste brasileiro nesta quinta-feira 23/01/2020.

O alerta é válido, mas não desperta preocupações pelo ciclone em si e sim pelo volume de chuvas que ele pode trazer, proporcionando alagamentos e deslizamentos de terra, além de forte ressaca principalmente no estado de Santa Catarina.

Para tratar sobre este assunto, a coluna Emergência de hoje tem um convidado:

Vitor Goede é meteorologista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina e registrado pelo CREA, possui foco em meteorologia de mesoescala e sensoriamento remoto voltada para tempo severo, mantendo no Facebook a página Tornadogenesis Storm Chasers.

A combinação entre o aprofundamento de um cavado entre altos níveis e a organização de um Vórtice Ciclônico em níveis médios sobre a costa do sudeste brasileiro, mais a intensificação de divergência e ascensão em grande escala por conta da difluência associada ao escoamento do Jato Subtropical em altos níveis, combinado a um corredor de convergência de umidade conhecido como Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) em níveis mais baixos, irá proporcionar a combinação de condições excepcionais sobre o centro e norte de Minas Gerais, Espirito Santo e extremo sul da Bahia nesta quinta-feira e sexta-feira, favorecendo a ocorrência de temporais generalizados sobres estas áreas.

A princípio, o sistema responsável por esta situação, deve começar a melhor se organizar durante a madrugada desta quinta-feira sobre o a costa do sudeste brasileiro, na medida que uma circulação fechada em superfície começa a se organizar e a disposição de forçante sinótica em médios e altos níveis ganha força. No decorrer do dia, este sistema deve amadurecer rapidamente, enquanto que o escoamento de ar quente e úmido de origem tropical se intensifica em níveis baixos sobre a metade norte do sudeste brasileiro, ao longo de um corredor de convergência de umidade. Isto combinado a presença de divergência em altos níveis sobre os mesmos setores, irá favorecer o desenvolvimento de núcleos de instabilidade fortes que serão capazes de provocar chuva torrencial acompanhada de descargas elétricas de modo isolado, entre o Norte de São Paulo, Centro e Sul de Minas Gerais e parte do Rio de Janeiro. Vale destacar que, inicialmente o ciclone pode exibir características subtropicais, conforme o centro de baixa pressão se forma sobre uma região com Temperaturas de Superfície do Mar (TSM) superiores a 23ºC sobre a costa brasileira, mantendo um núcleo aquecido ao menos nos níveis baixos enquanto que uma estrutura fria é observada em níveis mais altos.

Na sexta-feira, conforme o sistema evolui e a advecção (transporte) de ar frio em sua retaguarda começa a ganhar força ao mesmo tempo que o centro de baixa pressão se desloca para o interior do Atlântico, onde as TSM’s mais frias são observadas, este deve adquirir características extratropicais como uma estrutura vertical inteiramente fria, enquanto uma frente fria avança pelo litoral do sudeste brasileiro, se combinando a zona de convergência de umidade, proporcionando sua intensificação. Esta configuração será responsável pela ocorrência de chuva intensa e volumosa sobre o Centro e Norte de Minas Gerais, Espirito Santo e extremo Sul da Bahia.

A parte importante a ser destacada, será justamente os altos acúmulos de precipitação que devem ser observados em curto espaço de tempo ao longo das áreas destacadas acima, com acúmulos que podem se aproximar ou passar dos 100 mm em apenas dois dias, sobre uma região que já registrou transtornos desde o último fim de semana por conta das fortes chuvas. Além do risco elevado para alagamentos e inundações repentinas, a atenção também deve ser redobrada para a ocorrência de deslizamentos de terra.

Recomendações de segurança:

Evite áreas de risco como áreas de terreno acidentado e encostas.

Esteja atento as recomendações da Defesa Civil do seu estado e munícipio, especialmente se você vive em áreas propensas para ocorrência de deslizamentos de terra ou de inundações.

* Rodemaker Barbosa é especialista em emergências, instrutor de APH, gestor de crise certificado pela ONU, possui atuação voluntária na Defesa Civil desde 2013, autor  do livro “Operações de busca, fundamentos de busca a pessoa desaparecida” entre outras publicações.

 

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