Pessoas com necessidades especiais têm sido historicamente mal atendidas antes de um desastre. Como resultado, é necessário um esforço desproporcional para evacuá-los para um lugar melhor após o desastre.

Definições

Dentro de necessidades especiais, para evacuações focamos nas pessoas com necessidades funcionais, que são aquelas pessoas cujos membros podem ter necessidades adicionais antes, durante e após um incidente em áreas funcionais, incluindo, entre outros: manutenção da independência, comunicação, transporte, supervisão e assistência médica. Um acamado, cadeirante, ou pessoa que precisa da ajuda de andador ou muletas para se locomover, por exemplo.

Vamos pensar que existem dois tipos principais de eventos emergenciais de porte, aquele “evento com aviso prévio” como um furacão ou o rompimento de uma barragem, e aquele “sem aviso prévio” como um ataque terrorista ou queda de avião em área urbana).

Referência

Tomo como referência um país com ampla resposta e registro das ocorrências: os Estados Unidos. Lembrando que em solo verde e amarelo também ocorrem eventos grandes e trágicos, mas aqui o gerenciamento da coisa toda fica exclusivamente na mão do estado então não tenho acesso aos números verdadeiros ruins, aqueles que não são vazados para a imprensa porque justamente evidenciam a ineficiência do estado versus competência privada.

Para a produção deste artigo, foram utilizados dados e insights da americana Rescue Team, através da colaboração do seu fundador e meu amigo, Mike McKenna.

Choque de realidade

Durante praticamente todos os grandes furacões nos últimos 10 anos, as equipes de resposta em todo o país tiveram que prestar esforços às vezes sobre humanos para atender às necessidades daqueles que não conseguem se ajudar.

Antes que alguém me acuse de ser insensível, é na verdade o contrário. Se nos preocupamos com a parte de nossa sociedade com necessidades funcionais – e deveríamos, também devemos nos importar o suficiente para atender às necessidades de maneira significativa em nossa agenda, em vez de ficarmos reféns da agenda do evento emergencial.

Casos

Logo após o superfuração Sandy (2012) começar a atacar o nordeste dos Estados Unidos, ainda havia várias casas de repouso ocupadas que estavam sem energia e sem um plano de emergência.

Quando os olhos do furacão Gustav (2008) começaram a chegar à costa no sul da Louisiana, dezenas de moradores carregados de cadeiras de rodas estavam sentados à beira da estrada esperando por alguém para levá-los (as estradas já estavam fechadas devido à tempestade) para um lugar seguro.

Todas essas situações ainda exigem que os responsáveis ​​pelas forças de segurança evacuem-nas, que é o que fazemos, é claro. No entanto, diferentemente da extração de uma família de quatro pessoas típica (como em necessidades não especiais), muitas pessoas com necessidades funcionais exigem oxigênio, camas de hospital, cadeiras de rodas ou outra assistência especial. Os recursos (pessoas e equipamentos) necessários para conseguir isso são os mesmos que poderiam ajudar 5 vezes mais do que muitas pessoas em uma área que também é afetada.

Regra

Lembre-se que em uma emergência de grande porte, seguimos a seguinte regra:

Faça o melhor para a maioria das pessoas, da maneira mais rápida e segura possível.

Essa afirmação é um dos elementos básicos da maioria das minhas aulas de busca e salvamento. Parece mesquinho ou insensível dizer isto, mas gastar uma hora ajudando uma pessoa não é tão importante quanto gastar a mesma hora ajudando 4.

Problema

Então, qual é o meu ponto? É necessário fazer mais, de maneira informada, para evacuar pessoas com necessidades funcionais antes de um evento que podemos prever (emergência com aviso prévio), para que não precisem se recuperar de um desastre dentro de um cenário de desastre (uma absurda inconsistência, diga-se de passagem).

No entanto, o pêndulo de abordar o problema – semelhante as discussões dos legisladores da causa animal e ONGs afins, que querem nos exigir que evacuemos os animais de companhia ou mesmo Pets aleatórios e até gado de corte, de locais de desastres como Brumadinho, MG, aqui no Brasil – agora corre o risco de balançar demais para o outro lado de ser superdimensionado. Se realocarmos todos os residentes – com ou sem necessidades funcionais – toda vez que a Defesa Civil emite um alerta de tempestade intensa, acabaremos com um número gigantesco de pessoas deslocadas, juntamente com todo o atrito resultante de evacuações em larga escala, incluindo mídia, gastos faraônicos e processos judiciais servidos como rodízio de churrascaria.

Durante o furacão Rita, em 2005, mais de um milhão de pessoas tentaram evacuar a área de Galveston, no estado Americano do Texas. Convido a pesquisar o que virou o trânsito das cidades e estradas nesta ocasião…

Antes do furacão Isaac (2012), uma pequena paróquia sem dinheiro na Louisiana evacuou milhares de moradores em antecipação a uma brecha no dique ao estilo Katrina… que nunca aconteceu. A paróquia desembolsou cerca de 6 milhões de dólares. Não preciso dizer o resultado.

Exemplo

Pouco ou muito, pode ser um fardo… e confiar nas dicas da natureza é apostar em um jogo de azar, na melhor das hipóteses. Então, o que a sociedade civil pode fazer?

Em Lima, Ohio, eles criaram recentemente um registro de necessidades funcionais para assistência em evacuação. Um pré-plano, se você quiser, que identifica as pessoas que precisam (ou querem), evacuar – aliás este é outro ponto bem delicado no Brasil… se algo é comprado por algum legislador, tem que virar lei e ser obrigatório, uma boa razão da máquina sempre travar e nada ser feito de fato.

Exceto cidadãos ativos nisto como sobrevivencialistas e voluntários, a maioria das pessoas não planeja muito bem sua resposta a desastres, então no que isso seria diferente? Assim como as inscrições voluntárias por celular para serem notificadas de emergências pela Defesa Civil, a maioria tem uma participação muito baixa. Então, quem acha que isso funcionaria?

Solução

Esses artigos geralmente terminam com uma solução, mas preciso dizer que uma resposta clara a esse dilema é um pouco ilusória.

Se um de meus clientes me pedisse para ajudar a estruturar uma resposta, eu sempre começaria definindo o objetivo primeiro. Nenhuma agência governamental, seja aqui ou outro país (à exceção dos comunistas) dirá que existe uma “perda aceitável”, então suponho que o objetivo deles seja salvar todos o mais breve possível todas as vezes que se fizer necessário… até que eles vejam o preço.

Uma solução típica do governo é gastar mais dinheiro em uma emergência que ameace seus contribuintes, ou seja, pessoas, mas a maioria das árvores de dinheiro está secando por causa de eventos mal previstos ou imprevistos, que, no entanto, se encaixam como “emergências com aviso prévio”.

Portanto, uma medida seria reforçar as parcerias público/ privadas para cultivar e treinar os recursos comunitários existentes para intensificar durante um período de necessidade, sempre que necessário. Traduzindo: ativar de verdade o Sistema de Proteção e Defesa Civil até o nível de microrregião municipal.

Na prática

A única solução que realmente funciona é aquela em que cada um é responsável por si e pelos seus e tenha planos de emergências individuais, bem como recursos para executá-los. No entanto o estado costuma não ver com bons olhos e até mesmo proibir que algumas iniciativas tenham êxito.

Meu conselho: busque profissionais qualificados que gerenciem emergências desde a previsão de mal tempo até a relocação de pessoal, para sua família e sua empresa. Vai por mim, barateia até o seguro e no caso de ter um familiar portador de necessidades especiais, é a diferença entre a vida e a morte.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui