Estamos entrando em uma época quente, em vários sentidos. Temperatura subindo, eleições municipais no Brasil se aproximando, plena crise mundial com tensões entre fronteiras, faíscas em torno da eleição presidencial americana… previsões apocalípticas são o marco de 2020.

Dentre todas as situações, esta edição da coluna Emergência aborda uma emergência que pode ser classificada tanto como natural quanto tecnológica, a depender dos fatores que a motivam: o incêndio ambiental.

Insigh eleitoral

Vamos aproveitar para refletir em quantos candidatos você vê abordarem a problemática das emergências, catástrofes e desastres com propostas de atuação… no entanto quando elas acontecem, fatalmente são usadas como palco político. O momento de exigir planejamento é agora; pense nisso!

Sobre o fogo

Na verdade, são as condições meteorológicas atuais, combinadas com o tempo desta época do ano, que varia de ano para ano (diferentes condições de crescimento da vegetação por exemplo, produzem mais ou menos combustível) que influenciam significativamente onde o índice de risco de incêndio está. Eu sei que é moderno culpar o homem de tudo, mas nem tudo é, de fato, culpa do homem.

Não é apenas o calor, mas condições úmidas nos trópicos (basta ver o estado americano da Califórnia, que de acordo com a CNN queima 4,04Km² de área de mata a cada 30 segundos). A umidade no solo, as plantas e o alto nível de umidade no ar, são um dissuasor para a propagação do fogo ambiental em áreas que são quentes e úmidas.

Então são três grandes fatores a serem levados em conta:

  • A temperatura,
  • A umidade
  • O vento

Estes fatores precisam ser avaliados diariamente para estabelecer uma classificação de perigo de incêndio.

Nunca é demais preocuparmo-nos com riscos de incêndio. As temperaturas são altas, as condições são secas e como resultado, a vegetação que foi cultivada sob as condições mais frias, é agora lenha seca esperando por uma fonte de ignição. É combustível.

Linha de risco

É possível estabelecer uma linha de risco que seja facilmente detectável por qualquer pessoa. Parte daquele conhecimento tão necessário à sociedade civil organizada que sempre frisamos, não pode ser retido!

É conhecido pelo Firescope californiano como “Crossover 30-30-30” ou, como dizemos aqui, simplesmente “regra dos três 30”.

Se um fogo ambiental começar com a temperatura igual ou superior a 30 ºC, a umidade relativa do ar de 30% ou menos e a velocidade do vento de 30 km/h ou mais forte, ele exibirá um comportamento de fogo extremo e será difícil de controlar até que as condições climáticas mudem drasticamente.

Na região sudeste e parte do sul do Brasil estas condições vem sendo mantidas a alguns dias em algumas microrregiões, o que é muito preocupante quando aliado a inércia dos respondedores. Percebemos a fragilidade a que estamos expostos quando os órgãos de resposta sequer conhecem esta regra.

A temperatura e o teor de umidade no ar são indicadores fortes de perigo de incêndio. O adicional de vento forte e constante mudança de direção fará com que o fogo se espalhe rapidamente e potencialmente avance sobre amplas regiões em diversas direções em um curto período de tempo.

Curiosidade e a necessidade de conhecimento

O desconhecimento chega a tal ponto que é possível ver nas redes sociais pessoas acusando outras de “incêndio criminoso” quando está sendo feito combate de fogo com fogo.

Enquanto você pode achar o aumento da fumaça sobre um vale ou planície bem desagradável, a ironia é que ela vai agir como cobertura de nuvens, filtrar o sol e ajudar a suprimir o pico diurno em alguns graus. E isto pode ser suficiente para manter aquela região abaixo da linha de risco da regra dos três 30.

O que experimentamos neste momento entre os estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, com a instabilidade especialmente no final da tarde pode causar bloqueios na massa de ar quente, permitindo o avanço de uma massa de ar mais fria e isso pode ajudar, no entanto, transições desta natureza muitas vezes trazem com um risco aumentado de raios, granizo e vento forte por um breve período.

Em tempos digitais, é necessário percebermos que nossa atenção precisa estar na vida real também, e as condições do tempo e clima incluem nisto.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui