Giuliano Mossini*

O desenvolvimento das telecomunicações no século XX, a popularização da internet, disponibilidade à baixo custo de equipamentos como computadores e celulares, disseminação das plataformas digitais (redes sociais), tais como YouTube, Facebook, Instagram, Twitter e tantas outras que surgem, alteraram em muitos aspectos a vida em sociedade como a conhecíamos até duas ou três décadas atrás.

O monopólio das mídias, sejam elas televisivas, radiofônicas, cinematográficas e de imprensa, viram não apenas a perda de anúncios, mas também, que pessoas “comuns” poderiam com sua liberdade de expressão e opinião, manifestar-se com o uso de tecnologias digitais, e assim “influenciar” determinadas pessoas, a depender de uma fatia de mercado de consumo e/ou interesse.

E o que as novas ferramentas e plataformas digitais tem a ver com um possível conto alemão do século XIII?

Vivenciamos no século XXI, a ruína de muitos valores que alicerçaram a sociedade ocidental judaico-cristã por séculos, tais como o respeito a instituição familiar, aos laços matrimoniais, virtudes da fé, as instituições, as leis. Ocorrera um abalo em todas nos valores das instituições mencionadas, fora exposto que tudo nos era permitido, não há limites para a obtenção da satisfação pessoal e a busca do prazer sem limites.

Como resultado, em retrospecto histórico, com o feminismo sem objetivo, e a liberação sexual, uso de anticoncepcionais, drogas e alcoolismo, gerações nasceram e foram educadas sem as estruturas necessárias para a formação de seu caráter e a devida atribuição de valores.

Nesse bojo, podemos incrementar também as facilidades proporcionadas pelos pais ou responsáveis que não administraram diretamente a educação de seus filhos e pupilos, delegando a outros ou pior, as programações televisivas, escola e internet tal papel, numa bolha onde existem apenas direitos, sem deveres ou objetivos para conquistar.

Na lenda do “flautista de Hamelin”, a cidade de Hamelin (Alemanha), estava infestada de ratos, de forma incontrolável. Eis que surge um flautista, que se propõe a eliminar a praga por uma determinada quantia em dinheiro.

Com a eliminação da praga, o flautista adimplira com sua parte no trato, no entanto, não foi cumprido pelas autoridades locais, ele alertara que iria levar consigo as crianças da cidade, porém os detratores zombaram do menestrel. E como punição ao distrato, levou todas as crianças da cidade consigo, ao encantá-las com sua música, sem reação ou resistência das mesmas.

Muitas são as teorias sobre o que realmente aconteceu na data de 26 de junho de 1.284, como a emigração dos jovens para o leste Europeu ao fugirem da pobreza e a miséria, outros dizem que fora a praga da dança que contagia a todos que a ouviam, ou tratava-se de um xamã pagão que induziu as crianças a acompanha-lo.

Podemos comparar o flautista, com os atuais “influenciadores digitais”, os quais não encontram resistência dos jovens, e deixam-se levar como se instrutores de sua vida fossem, sem analisar, sem questionar, pois não houve instrução e educação em seus lares, tomando como verdade as opiniões e declarações de tais pessoas sobre os mais diversos aspectos da vida, seja na seara política, comportamento, ética.

As novas gerações não lhes é apresentado a busca pelos fatos, para que seja apreciado a versão de dois lados. Seus ídolos que lhes dizem o que é certo e errado, o que é bom e mal, expondo suas preferências como o melhor. Apresentando-lhes um estilo de vida, produtos e serviços para que seus ouvintes comprem e utilizem aquilo que seu mestre ordena.

Uma vida calcada na obtenção dos prazeres instantâneos, sem planejamento, busca do objetivo sem esforço, sem luta, do qual muitos serão frustrados, ao perceberem que tal não se constrói como um passe de “mágica”. E tal como o flautista, que levara as crianças sem resistência, sem resistência as novas gerações deixam-se levar pela influência de pessoas que não conhecem suas trajetórias, a história de suas vidas, suas famílias.

Da mesma forma das autoridades de Hamelin, nós somos culpados, ao proteger, auxiliar, suster nossos filhos como se fossem crianças incapacitadas e a outra face da moeda, as famílias destroçadas por influencias anteriores a internet expõe seus filhos a tais mazelas, sem educa-las da forma como fomos no passado, respeitando as instituições, no caminho cristão, respeito aos mais velhos, aos professores. A busca de concretização de nossos sonhos por nossos esforços, pelo suor de nossos rostos, pela conquista através da educação e transformação.

Em tal cenário, os “flautistas de Hamelin” do século XXI possuem muito mais do que um flauta em suas mãos para se apossarem da mente e do coração de nossos jovens e crianças. Possuem a seu favor a tecnologia da comunicação, ferramenta de persuasão e doutrinação, por isso não deixemos de enfrentar a tarefa de educar nossos filhos no caminho da verdade e da retidão, para que não entrem em laço algum.

Por isso Provérbios 22.6 diz: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele”.

Não deixemos que a doce canção do flautista “seduza” toda uma geração que não conhece limites e os valores que nos acompanharam por séculos o ocidente cristão.

*Professor de Direito na Univale, Mestre em Direito da Personalidade, Especialista em Direito Ambiental.

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