Altamira (PA), 21 de Janeiro de 2020

Chamada de “pirralha” por Jair Bolsonaro, eleita a personalidade do ano de 2019 pela revista Times e líder do movimento mundial ambiental contra as crises climáticas, a adolescente Greta Thunberg – diagnosticada com Síndrome de Asperger – ficou famosa inicialmente após um ato de rebeldia juvenil: matou aula por motivações políticas.

Foi em agosto de 2008 que toda histeria em torno do ativismo político juvenil começou na Suécia; quando Greta decidiu sentar-se em frente ao Parlamento sueco, na cidade de Estocolmo, com uma placa com as palavras: “Greve da escola pelo clima”. Atualmente, Greta tem apenas 17 anos e tornou-se o ícone dos ambientalistas à Esquerda política.

Nesta terça-feira (21) em sua palestra principal no 50º Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça) Greta pediu que líderes mundiais ouçam a juventude: “Eu me pergunto o que vocês dirão aos seus filhos diante deste caos”, disse. A ativista também insistiu na necessidade da interrupção do uso de combustíveis fósseis imediatamente, pedindo o fim da extração e dos subsídios que favorecem a utilização de carvão mineral, gás natural e petróleo. Para Greta o planeta terra “ainda está em chamas e a inação dos senhores [políticos presentes] alimenta as chamas de hora em hora. Pedimos que vocês ajam se vocês amam seus filhos mais do que qualquer outra coisa”, finalizou.

É fato que vivemos em tempos de oscilações climáticas preocupantes, as causas, contudo, não podem ser unificadas, resumidas e explicadas com base na simplista crítica ao capitalismo que o grupo que Greta representa profere; muito menos cridas de modo cego pela rasa denúncia ou leitura de notícias; visto que é de praxe as imprensas alinhadas ao estatismo aumentarem os números de desmatamento e poluições com a finalidade de darem justificativas ao Estado para intervir de modo exagerado no setor comercial e produtivo das sociedades capitalistas.

As causas da nossa realidade são a busca primária da Filosofia. Qualquer um que deseje descobrir as causas de algum aspecto da realidade deve saber de antemão o que todos os grandes filósofos aprenderam (o que é explicado pela imensidão de suas obras): você levará tempo, muito tempo, necessitará de experiência, errará muito, estudará muito e ainda demorará mais um pouco para entender a origem dos problemas mundiais. Por essa pressa de Greta, por essa pretensão, muita crítica e alternativas insignificantes, pela apelação dos agentes que colocaram uma criança lá, é que concluo que falta muita experiência, amadurecimento, estudo e humildade para que jovens como ela possam se envolver seriamente com o ambientalismo. Conheço um homem com mais de 70 anos que se considera ambientalista nato. Ele tem muitas ideias, muito histórico e coisas feitas por sua cidade. Um homem vibrante na luta pela preservação ambiental, prático e inteligente, todavia ainda sofre com questões de administração de lixo. O mundo não “dá luz” na mesma facilidade que se liga um interruptor de luz, como Greta parece sugerir. Assuntos complexos como o ambientalismo devem ser tratados com especificidade e sobretudo, com inteligência analítica desapaixonada.

Um bom exemplo disso foi o conservador Roger Scruton (1944-2020). O filósofo Scruton, após (e não antes) anos de estudos e experiências vividas em suas propriedades locais e estadias internacionais, fez de modo brilhante uma conclusão a respeito dos reais problemas ambientais do planeta e como resolvê-los. O resultado da sua longa reflexão está no livro Filosofia Verde – como pensar seriamente o planeta. Nela, Scruton resume tudo que aprendeu em uma simples lição: quer consertar o planeta verde? Comece pela sua minúscula comunidade, seu pequeno bairro, sua rua, aliás, por seu quintal onde sua sujeira pode ser negligenciada; mais, comece pela sua sujeira interior.

Um exemplo? Minha querida mãe formou-se, aposentou após 31 anos de trabalho numa mesma instituição, adotou-me, teve outra filha, capitalizou, educou, contribuiu econômica e moralmente com a pequena sociedade onde vive, virou dona de casa, foi professora de noivos católicos (preparando dezenas de famílias que hoje são contribuintes da boa ordem da cidade), construiu sua casa própria, sepultou seus pais, viveu muitas dores, alegrias e hoje não deixa de fazer sua individual coleta seletiva em prol de um mundo mais salubre para as futuras gerações. Ela não perde tempo esperando que a humanidade – essa ideia abstrata – seja melhor para começar a fazer sua parte para tornar a humanidade mais habitável.

Ela, de fato, poderia ter ido para ONU ou Davos no lugar da ativista Greta para falar com autoridade sobre como ajudar a diminuir as crises climáticas significativamente ao invés de ficar tagarelando histericamente, gritando “How dare you?!”

Seguindo adiante, outro intelectual que teve de lidar com a origem de problemas que causaram devastações a nível mundial como os gulags nos tempos de Josef Stálin (1878-1953) é o psicólogo clínico canadense Jordan B. Peterson. Peterson descobriu a mesma regra que Scruton: “Organize a sua própria casa antes de sair criticando o mundo.” Aliás, em seu livro 12 Regras para a Vida – Um antídoto para o caos, esta se destaca como uma das melhores lições.

No livro, Peterson escreve doze princípios práticos sobre como viver uma vida com significado, tratando principalmente do antigo valor – que parece perdido – da responsabilidade individual. Peterson usa muito a linguagem do heroísmo das histórias infantis, na figura daquele herói da província que preparava-se durante anos, que desde cedo era educado aos pés dos mais velhos, ouvia mais do que falava, dedicava-se na prática e experiência, era o mais disciplinado, o que vencia a si mesmo (vincit qui se vincit), o que percebia seus vícios e maus costumes, notava que só sabia que nada sabia e, ainda, buscava crescer e desenvolver a si mesmo, nas pequenas coisas. Com o tempo, estava apto e era eleito para ser aquele que traria Ordem ao Caos que repentinamente se instalava em sua sociedade. Antes de trazer a Ordem Geral para o Caos Geral, ele compreendia sua responsabilidade pessoal na resolução do seu caos específico e ordinário.

Essa arrogância, pressa e falta de percepção dos pequenos erros pessoais a serem corrigidos – como arrumar sua cama antes de escrever no Facebook que o mundo é cruel – parece patológico entre os jovens millennials e sua papa Greta. Tem remédio que resolve? Não sei.

A verdade é que os jovens de hoje, existindo no período histórico de maior conquista econômica do capitalismo, com toda facilidade e desenvolvimento tecnológico, aprenderam que é mais confortável sustentar uma aparência de transformador social compartilhando, em seus iphones, posts do Quebrando o Tabu do que ajudar o papai e a mamãe a tirar o lixo para fora de casa ou passar horas estudando biologia, filosofia e preparando-se para contribuir significativa e verdadeiramente para mudanças positivas na sociedade. No fundo, os mini-Gretas são apenas falsos participantes da vida política; os resultados reais são zero e sempre haverá uma mídia e uma instituição defasada o suficiente como a ONU e agora o Fórum Econômico de Davos, para dar voz a eles.

Quem são os verdadeiros heróis do planeta? Precisamos considerar isso: que todo herói genuíno – não herói fabricado pela internet – parece ter que transpor primeiro as barreiras dos defeitos e problemas próprios, principalmente do conforto e prazeres pessoais, como primeiro passo de sua jornada em busca da Ordem contra o Caos geral. O verdadeiro herói começa – sempre – seu doloroso, porém honroso caminho, vencendo a si mesmo nas situações básicas da vida, como: não faltar na aula pra mudar o mundo (tenho quase certeza que a aula daquele dia estava chata demais e Greta precisava fazer algo mais fácil, mostrar que ama a natureza).

Desconfie do herói que quer mudar o mundo confinado em um caos de confusão pessoal. Pare de querer salvar o planeta se você ainda não foi salvo de seu próprio caos, seu próprio desmatamento existencial, sua própria poluição espiritual, sua própria covardia de passar pelas fases básicas da vida antes de saltar para as complexas. Salve-se primeiro ao lavar a louça. Conserte-se primeiro ao tirar as melhores notas na aula. Pare de falar sobre como podemos mudar as leis da Europa e do Brasil para ter um mundo mais verde e comece a discutir com sua alma como você pode deixar de ser preguiçoso com suas tarefas domésticas.

“Para viver uma vida plena”, escreveu Dr. Norman Doidge, “é preciso primeiro colocar a própria casa em ordem e, apenas então, será possível sensatamente pretender assumir responsabilidades maiores.”

Lamento que alguém como Greta seja considerada porta-voz dos jovens neste assunto, mas não me surpreende, jovens sempre gostam mais de aparentar do que ser.  Quem nunca chamou atenção da gatinha com o carro que o papai conquistou com seu suor? Aliás… quem nunca chamou a atenção do mundo político atravessando o Atlântico num veleiro?

Fernando Razente

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