Um determinado chefe de uma equipe de bombeiros chega com seu time a um incêndio urbano em um prédio. No local, constata que as chamas estão contidas no seu interior e muita fumaça escura escapa pelas janelas. Imediatamente ele dá ordens para a disposição do equipamento. Caminhões de água, conexão de hidrantes, bombeiros com seus equipamentos de respiração e machados de arrombamento se posicionam.

A população local, acumulando ao redor da equipe, pressiona, questionando o porquê ainda não houve a entrada e combate, se as pessoas que moram ali não conseguiram sair do prédio. O chefe da equipe fica nervoso com a responsabilidade de vidas civis em jogo. Então alguém começa a falar ao microfone “eles deveriam entrar imediatamente! Já estão aqui, não deveriam esperar!”. Subitamente, ouve-se pela janela alguns andares acima o choro inconfundível de um recém-nascido.

Então o chefe fecha as plantas do prédio que estava abrindo sobre uma mesa de campanha e decide “posicionar a escada. Vamos entrar”. Alguém da equipe alerta: “chefe, as mangueiras não estão prontas e não sabemos ainda o combustível do fogo”. O chefe apenas diz “vamos entrar”. O caminhão que estava mais distante é aproximado para a área quente, estabilizado e a escada direcionado à janela em questão. A fumaça se adensa, preocupando o bombeiro que alertou sobre o desconhecimento da classe do fogo. Mas toda a equipe sente a adrenalina correndo nas veias e diz “é pra isso que viemos, deixe de ser mole, vamos entrar!”. Então aquele sujeito do microfone diz “eles são heróis! Eles vão enfrentar as chamas para salvar uma criança!” e os populares ao redor aplaudem.

Cinco bombeiros apressadamente sobem a escada posicionada e adentram no ambiente. Lá dentro, percebem que se trata de um ateliê de pintura talvez, repleto de tintas e solventes. Tentam avisar os outros que estão fora, mas é tarde demais. O fogo, em comportamento titânico, inicia um violento backdraft voltando-se para a entrada da janela, as portas no térreo e avançando sobre a equipe de bombeiros, a escada, o caminhão.

Os bombeiros tentam correr de volta pela escada. Nem todos conseguem. Aquele bebê certamente morreu carbonizado. Então diante dos populares atônitos e silenciosos se ouve a voz ao microfone “Heróis! Eles foram heróis! Se sacrificaram para tentar salvar uma vida! Infelizmente, a vítima não sobreviveu, mas vamos nos lembrar destes que morreram aqui hoje!”.

Um vídeo que ilustra um caso bem parecido pode ser reproduzido no Instagram.

Bem, agora com sua atenção, vamos discorrer seriamente. Pense nesta história como uma analogia.

Analogia

Durante o contágio que se iniciou no final no ano passado na China por um vírus do tipo corona, houve uma história extremamente parecida.

Os governos são o chefe de bombeiros. Os profissionais de saúde os bombeiros combatentes. O povo sempre o povo. E o sujeito do microfone, a mídia mundial.

Não houve planejamento, a decisão foi emocional e tomada a partir de pressão da mídia, apoiada por populares, fruto de uma lavagem cerebral sem precedentes.

Isto não é gestão. É irresponsabilidade, democídio, arrogância, prepotência e absoluta incompetência.

Defesa Civil

Há um sistema desenvolvido para gerir este tipo de situação. Ele chama-se Defesa Civil. Ao contrário do que se pensa, não é um órgão, mas um sistema de redução de risco de desastres.

Uma vez que o cenário emergencial é sempre em um município, a Defesa Civil organizada a nível municipal é a ponta de lança da gestão de crise. O município deve estar preparado para antecipar a emergência e atender imediatamente a população atingida, objetivando reduzir perdas materiais e humanas. Não é a secretaria de saúde, mas sim a Defesa Civil estruturada como Secretaria ou Diretoria de Proteção e Defesa Civil que, em teoria, estaria preparada para o enfrentamento da crise do Covid-19, emergência de código 1.5.1.1.0 segundo o Cobrade, a Classificação e Codificação Brasileira de Desastres.

Acontece que, na prática, a Defesa Civil acaba sendo um órgão político dentro do município, que apenas cumpre a sua existência obrigatória, sem agentes e tampouco coordenadores que estejam realmente capacitados no verdadeiro escopo de trabalho em todas as fases da crise. Infelizmente normalmente tais organizações a nível municipal estão mal equipadas, quando não sucateadas, sem atenção alguma a menos que ocorra um desastre natural do tipo geológico, hidrológico, meteorológico ou climatológico. Não passa pela cabeça dos prefeitos que os desastres biológico e tecnológico também estão no escopo de trabalho da Defesa Civil.

Também há de se considerar a questão do ego, quando os membros da Secretaria de Saúde decidem que o CMR tem maior valor do que o preparo para gerenciamento de crise. O correto é sim ter médicos atuando no sistema de Defesa Civil, como agente técnico consultivo, assim como engenheiros, meteorológicos, advogados, técnicos ambientais e de segurança do trabalho. Todos possuem seu papel e quando devidamente aplicados dentro da engrenagem do sistema de Defesa Civil teria um esforço de enorme proveito como resultado.

O gerenciamento falhou

Não houve um gerenciamento de fato. Houve uma ingerência egoísta, alimentada por uma gana de controle.

Por todo o mundo se constata o óbvio: que os lugares que abrem sofrem menos com contágios e mortes do que os lugares que insistem na quarentena. Então por que não abrir tudo? Porque esses pequenos tiranos não suportam a ideia de perder a capacidade de mandar nas pessoas.

O gerenciamento deve ser local, com base em dados locais e nunca apoiado em uma decisão esdrúxula oriunda do outro lado do planeta. Não se fecha uma cidade no interior de um país sul americano porque um país asiático fechou a cidade do epicentro da doença. O que foi reconhecido com pandemia pela OMS não chega a epidemia na grande maioria das cidades brasileiras.

Aliás, a mesma OMS que volta atrás sobre a informação de que o lockdown seria uma opção assertiva, sobre o uso de máscaras pela população geral, sobre desinfecção de superfícies para prevenir contágio…

Recomendo fortemente a leitura deste artigo do Instituto Rothbard que demonstra, cientificamente, como os defensores do cerceamento da liberdade gostam de dizer, esta ingerência toda e o fracasso no processo, com as decisões erradas e o momento que elas ocorreram, apontando possíveis fatores que levaram a isso.

Índice de Vulnerabilidade Municipal

Já ouviu falar de Índice de Vulnerabilidade Municipal (IVM)?

A ferramenta é uma iniciativa do Instituto Votorantim e aponta as cidades mais vulneráveis em relação à pandemia de coronavírus.

Em Maringá-PR eu havia produzido um estudo em fevereiro que levava justamente a manutenção de um cenário parecido com o IVM, através da implantação de um Sistema de Comando Operacional seguindo as diretrizes do Ministério Desenvolvimento Regional via Defesa Civil e do Ministério da Saúde via Vigilância em Sanitária, mas não foi aceito pelo executivo municipal.

Isto se chama gerenciamento local. Com leitura de dados reais e não previsões apocalípticas de quem sequer conhece o seu município, tampouco repetições de “especialistas” com o jargão “eu acredito na ciência”.

Você não acredita na ciência. Você nem pesquisa ciência. Você acredita em cientistas. Naqueles cientistas ativistas políticos que a Globo indica.

Confira aqui como está o IVM do seu município.

Participação da sociedade

O caso da crise do coronavírus possuem decisões de gestão que estão muito longe de ser uma unanimidade entre os gestores. Exatamente por isso estas decisões não podem em hipótese alguma ser unilateral, possibilitando a ascensão de tiranetes em seus respectivos quintais eleitorais. A premissa do sistema que deveria gerir esta crise, a Defesa Civil, é justamente a participação popular, de acordo com a Lei Federal 12.608 que a criou. Premissa esta que vem sendo sistematicamente ignorada em troca de ações compulsórias muitas vezes sem embasamento, apenas seguindo exemplo de outro tirano.

Convido a relembrar a pequena ilustração do início do artigo, assistir ao vídeo sugerido e pensar. Estamos seguindo um exemplo prudente em direção ao restabelecimento da normalidade ou incoerente que nos conduz ao abismo? Sobre a mídia, nem há o que ser dito; jornalismo de necrotério mata muito mais do que o vírus.1900

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