por Ricardo Z

De alguns anos pra cá, muito se fala sobre Bitcoin, sobre criptomoedas, suas vantagens, desvantagens, etc. Porém, sempre é citado também a rede por onde tudo isso passa, que se chama Blockchain. E falando dessa forma, parece que de fato não há algo de extraordinário nessa “rede”.

Mas vamos pensar de uma forma análoga, porém, trocando “Blockchain” por “Internet”. É a mesma coisa. À rede, pouco é dada importância, você só quer saber se funciona, que seu computador tem que ter automaticamente (imagine se alguém hoje tem um computador sem internet?), e que a velocidade contratada é rápida ou não. O usuário só quer saber de navegar, de acessar as páginas e baixar arquivos. A mesma coisa com o Blockchain. O usuário só quer fazer uma operação de um lado e alguma coisa acontecer do outro.
Mas veja: eu disse, “operação” e “alguma coisa”. Não disse “pagamento” e “recebimento”.
Isso não foi por descuido.
Eu disse isso porque o Blockchain é, sempre foi e sempre será a cereja do bolo. Sempre será o que há de mais belo (a princípio) no universo das criptomoedas. Numa etapa posterior temos de forma generalizada o uso de Smart Contracts – que são contratos executados automaticamente através de uma programação formal, onde, por exemplo: quando João acende alguma luz em sua casa, ele gasta energia elétrica. Isso é óbvio. Por isso há um contrato. O contrato diz que toda vez que 1KWh (Kilo Watt por Hora) é consumido na casa de João, ele estará enviando R$0.79 ATRAVÉS DA REDE BLOCKCHAIN para a concessionária de energia. Cada vez que isso acontece, uma “transação” ocorre no Blockchain.
Quando você abastece seu carro, não pode parar por dez minutos no posto! Muita gente paga no dinheiro pra nem sair do carro, ou o frentista leva a maquineta para o cliente, igual no drive thru do McDonalds, você quer que a “transação se dane!”. E está certíssimo disso. Pra você o que importa é pagar e ter o resultado, seja comida ou gasolina no tanque.
Porém o estabelecimento precisa aceitar cartões de crédito. E isso é inalterável. Nenhuma criptomoeda vai ser “o dinheiro do povo sem banco” (como se pensou um dia no Bitcoin). A Visa e a Mastercard não pararão e da forma que está hoje, para TRANSAÇÕES DE VALORES essas empresas são imbatíveis e seus sistemas também. [1][2]
Mas elas não possuem esse recurso chamado Smart Contract, que está dentro de uma rede chamada Blockchain e que todos os registros estão lá armazenados. Seja de uma aposta em corrida de cavalo, seja uma compra feita no mercado, seja uma encomenda enviada, seja uma passagem de avião ou aluguel de um carro, QUASE no final das contas você vai saber a origem e onde gastou, com o que gastou. Porque TUDO ESTARÁ NO BLOCKCHAIN. E SÓ VOCÊ VAI SABER, porque seu sistema É SEU, e tem um usuário e senha; porque quando o Smart Contract foi executado, na própria execução do mesmo, foram criadas: “carteira A” e “carteira B”, sendo uma envio e a outra recebimento. Como disse, se você comprou uma passagem aérea, o registro de tudo o que foi proposto e as condições daquele contrato estarão no Blockchain. Então você irá olhar um número num bilhete que “o cara do aeroporto” te dá e haverá o código completo com um Qrcode pra escanear. Assim que a empresa “ler” seu Smart Contract, já sabe que você vai de São Paulo para Salvador ou para a França, quem é você e que sua passagem está paga. O sistema “se entende”, é o chamado “Consensus”. Então, é possível todos “entrar em consenso”, e a rede funcionar perfeitamente. Os contratos serem executados. As coisas serem confirmadas. Aquele que não estiver no formato sendo por qualquer fator, não faz parte do blockchain.
Apenas uma observação, veja que nessa parte a transação depende de uma leitura de um código. Assim a empresa terá que ler um Smart Contract que há na blockchain, e ver que existe um contrato todo automatizado que dá o direito dela viajar de avião. Isso ocorre em um segundo. Bastando a empresa se integrar com o Blockchain.
Outro caso poderia ser na sua conta de água. Você só paga. O que você quer é a água, e só. Mas quem está fornecendo, que está tratando, retirando, te dando a água na torneira precisa registrar a origem dessa água, e precisa gerar novos registros, como por exemplo, um destinatário que compra essa água, você. E você teria todo o registro de consumo de água dentro de um Blockchain, saberia os horários de consumo, se realmente é aquele valor.
Você poderia pegar uma pessoa e cadastrar seus dados pessoais dentro de um Blockchain, de forma que praticamente ninguém sabe quem é quem (se souber, terá que saber quem é o destinatário, porém se for um comércio, ou uma pessoa qualquer, essa pessoa pode criar uma carteira só pra isso, e depois usar uma forma de trocar por dinheiro “real”). Sendo assim o Blockchain estará presente/diponível para todos, ou seja, todos veêm todos, mas ninguém sabe o que uma “pessoa” está fazendo ou o que está acontecendo, podendo ser uma micro unidade de uma criptomoeda que tem como origem algum artista famoso. Mas você não sabe se aquilo lá “é ele”, sendo que “ele” pode ter infinitas carteiras, gastando em um Hotel em Miami ou se é a pessoa mandando um valor de U$0,05 por usar internet no celular ou se está apenas gastando com energia elétrica e o endereço não é dele, é da casa — apesar desses exemplo serem muito simples, a rede blockchain permite ir EXTREMAMENTE MAIS LONGE. Um conselho que fica é de entrar e mergulhar nas profundezas do https://etherscan.io/
Por isso o Blockchain é o que é. A cereja do bolo de criptomoedas.
O Blockchain está além da imaginação.
Referências:
[1] https://medium.com/@s_o_s/blockchain-and-transaction-speed-why-does-it-matter-80bfd100fa89
[2] https://towardsdatascience.com/the-blockchain-scalability-problem-the-race-for-visa-like-transaction-speed-5cce48f9d44

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