Airsoft é um jogo desportivo onde os jogadores participam de simulações de combate. Simula operações policiais, militares ou apenas recreação com armas de pressão que atiram projéteis plásticos não letais.

É um esporte que vem ganhando muito espaço em território nacional e possui história e muitos benefícios.

Alternativa ao desarmamento civil

O armamento civil sempre foi um calcanhar de Aquiles para estados autoritários. O cidadão com livre acesso às armas é uma pedra no sapato para o governante com tendência ditatorial. Mais do que uma defesa contra indivíduos à margem da sociedade que roubam, assaltam, estupram, invadem e cometem terrorismo, o armamento civil sempre foi uma questão de liberdade fundamental contra um estado forte que suprime liberdades individuais.

Quando, na década de 30 o povo judeu foi proibido de portar e possuir suas armas em território alemão, o que seguiu foi um tremendo genocídio. Antes disso, no Império Japonês, nas últimas décadas dos samurais, houve fato semelhante com o próprio povo nipônico. E antes e depois destes, com os Chineses, os Ingleses, os Indianos… prova que independe de nacionalidade ou ideologia, sendo assassinado o estrangeiro e o patrício igualmente, quando o poder absoluto do estado é ameaçado.

Foi nos anos 70 no Japão, em pleno vigor da lei do desarmamento civil que surgiu uma prática esportiva em alternativa à caça e tiro esportivo com armas de fogo. Trata-se de tiro de esferas plásticas. Claro que não seria interessante nem convidativo utilizar um equipamento que em nada lembrasse uma arma de fogo, então surgiram as réplicas. Inicialmente agindo por motores elétricos, logo depois com variações a gás e ar comprimido.

Nasce então o Airsoft. Movidos pela paixão por armas de fogo mas sem poder emprega-las, a criatividade japonesa desenvolveu as réplicas e rapidamente passaram a ser empregadas em combates simulados além dos tradicionais tiro ao alvo, onde o indivíduo quando atingido sinaliza levantando a mão e gritando “morto!”. Um esporte de honra, uma vez que dificilmente um árbitro terá assistido o embate para resolver alguma questão de um operador que não se acusou ao receber o disparo.

Nossa realidade

No Brasil a sua regulação, como não podia deixar de ser, iniciou-se em 2003 com o controle feito pela Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados. Mas em 2010 que se tornou “oficial”, sendo a fabricação, homologação, aquisição das réplicas e o seu emprego regido pela portaria Colog 002 de 26/02/2010.

Fato é que o Airsoft é o esporte que mais se assemelha a um combate real com armas de fogo, sendo útil para o treinamento de defesa além de um excelente alívio mental para a carga de estresse do dia a dia, transferindo o trabalho para o corpo e a parte do cérebro responsável pelas respostas instintivas e violentas.

Nós vivemos em um mundo a cada dia mais controlado, onde a violência é tratada como algo ruim em sua essência; tentamos ignorar o natural, que seria o homem ser violento. Como resultado, as tensões acumulam e geram frutos podres, onde a carga de estresse é transbordada na família, nos amigos, nos colegas de trabalho (justamente onde não poderia, afinal a violência do homem é naturalmente empregada para proteção destes).

Benefício legal

Em muitos municípios brasileiros, é aplicada a pena de IPTU progressivo diante da não utilização de um imóvel em perímetro urbano. Um acordo de concessão de uso deste imóvel para uma equipe de Airsoft como ambiente onde as simulações de combate ocorrem implica em dizer legalmente que o local possui uma finalidade, inclusive sendo necessário que o seu aspecto de abandono seja mantido.

Claro que não implica em não realizar manutenções de roçada do mato e recolha de lixo prevenindo a multiplicação de insetos e animais transmissores de doenças. Ao contrário, ao acordar a utilização destes imóveis com uma equipe de Airsoft, o proprietário pode pedir como parte do acordo que esta manutenção fique a cargo do usuário. Todo mundo ganha.

Benefícios médicos

Hoje cerca de 25% da população brasileira é hipertensa. Outro tanto desenvolve em diversos níveis a depressão. Doenças em que a prática do Airsoft ajuda a controlar e a tratar (não dispensando acompanhamento médico).

Ser sedentário aumenta a oxidação de células no corpo (envelhecimento), causa retração do tecido muscular e promove inflamação. Por outro lado, a atividade física promove a circulação sanguínea e regula os níveis de pressão arterial, colesterol e açúcar no sangue.

Além disso, o coração fica muito menos cansado quando treina regularmente: atividades esportivas, portanto, contribuindo muito para reduzir as doenças cardíacas.

Claro que, como todo esporte que envolve a explosão física, possui riscos. No entanto o interessante é que estes riscos são praticamente confinados a cada pessoa – aqueles que se arriscam mais, correm na frente, gostam de “fatiar” ao estilo Tropa de Elite, estão mais sujeitos a traumas decorrentes do terreno, uma vez que o Airsoft geralmente é praticado justamente em locais abandonados e que simulam ambientes de conflito real.

Pensando nos riscos e emergências nos campos onde as partidas acontecem, uma regra foi desenvolvida para gerir a situação. Chama-se Perigo Real. Sempre que algum operador se depara com uma situação de risco, como um obstáculo perigoso no terreno, ou então acontece alguma emergência como alguém passar mal de verdade, usa um apito e informa aos demais participantes da existência de Perigo Real. Então a regra é clara: interromper a partida até que a situação seja controlada e se houver vítima, socorrida.

Devido ao pré conceito sobre esportes de tiro que ainda temos no Brasil, a falta de material a respeito é uma enorme lacuna que não ajuda em nada quem deseja aprender mais, praticar o esporte sabendo como prevenir os riscos, tratar as emergências, socorrer um colega.

Livro

Motivado por todos estes fatores, desenvolvi o primeiro livro que apresenta o Airsoft como esporte e foca nas possíveis emergências: Perigo Real – primeiros socorros para operadores de Airsoft.

É necessário que sejamos multiplicadores de coisas boas. Quando deixamos de empregar nosso conhecimento e experiência em direção útil, não podemos exigir mudanças em uma cultura tão doente como a nossa.

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