Altamira (PA)
29 de janeiro de 2020
Os questionamentos a respeito da possível teoria da conspiração de Olavo de Carvalho e tantos outros autores conservadores que denunciam a ideologização da educação por parte do aparelhamento da esquerda caem por terra diante da realidade.
No ano de 2019, conheci por acaso dois jovens paranaenses – uma garota e um rapaz -, os dois acadêmicos do curso de Economia, porém em centros de estudos distintos, mas muito famosos em Maringá (PR): uma pública e outra privada, pra não haver discussão de parcialidade de setores!
O rapaz, no último ano do curso e a garota, indo para o terceiro. Eu, na época, um acadêmico de História, animado com o conhecimento, perguntei a eles se já haviam tido contato com as obras ou a história dos clássicos economistas liberais, mundialmente reconhecidos, como Ludwig von Mises (1881-1973), Carl Menger (1840-1921), Böhm-Bawerk (1851-1914), Frédéric Bastiat (1801-1850), Rothbard (1926-1995), Hayek (1899-1992) ou Friedman (1912-2006). A resposta dos dois foi um triste: “Nunca ouvi falar!”.
Reconhecendo algo estranho, e devido as minhas próprias experiências com a claríssima esquerdização em massa dos meios acadêmicos, questionei: “E quanto a Karl Marx? Engels? Já leu?”. Na mosca. Eles entregaram – cada um de seu jeito – uma face de obviedade e uma frasezinha do tipo: “Sim, sim… já estudei!”.
Os questionamentos a respeito da possível teoria da conspiração de Olavo de Carvalho e tantos outros autores conservadores que denunciam a ideologização da educação por parte do aparelhamento da esquerda caem por terra diante da realidade. O fato bruto é que as visões políticas à esquerda e as obras de seus intelectuais orgânicos engoliram a educação brasileira – seja em universidades ou faculdades públicas e privadas – há muito tempo.
Não! Não é uma brincadeira ou teoria da conspiração de mal gosto as denúncias contra um uma cultura sufocada, conforme o comunista Antonio Gramsci (1891-1937) esquematizou. Nós, conservadores e analistas políticos estamos falando de algo sério.
Veja bem, nunca cri que os problemas fossem tanto a posição que o professor tem em sala com relação as teorias – se ele defende uma ou a outra, se é liberal ou socialista, conservador ou revolucionário. A tal neutralidade científica proposta por algumas leis políticas é simplesmente uma falácia. Herman Dooyeweerd (1894-1977) nos fez um favor refutando isso¹. Acredito, sim, que o problema é exatamente anterior; é que não tem o “outro” em questão para que o aluno seja colocado em posição de comparação e decisão pela melhor posição ou visão de determinado assunto. 
Simplesmente – exceto em casos raros – não existem obras de liberais nos currículos acadêmicos de economia e nem de conservadores em Filosofia, Ciência Política ou Sociologia. No meu caso – História – nunca teria conhecido as obras de conservadores clássicos como Edmund Burke (1729-1797), Russel Kirk (1918-1994) Michael Joseph Oakeshott (1901-1990) ou Roger Scruton (1944-2020) se dependesse apenas de meus professores. Numa bibliografia que vem de cima para baixo, é natural que os estudantes fiquem reféns de um corpo docente todo já aparelhado pelo marxismo cultural.
O problema principal da educação brasileira em geral, segundo o que compreendo, é a assustadora ausência de fonte primária e de livros traduzidos de autores liberais econômicos e conservadores políticos, circulando na acadêmia e compondo as opções da biblioteca, fazendo oposição ao paradigma dominante da esquerda.
Nos meus anos de faculdade, não encontrei um exemplar sequer na sessão de economia desses autores liberais que mencionei, quanto menos conservadores (salvando alguns poucos que ficariam lá, empoeirados e velhos e que nunca entrariam em sala para uma discussão se eu não saísse no meio da aula para os buscar e ser taxado de machista e religioso em sala) :)!
Foi uma experiência que exigiu crescimento e coragem, o que aprendi pelo “outro lado” da história, da economia, da filosofia e da política tive de aquirir em livrarias, tirando de meu próprio bolso nos anos de trabalho suado entregando jornais, e sozinho estudando dobrado para não ser engolido por uma avalanche de idéias sem contrapontos e nem oposição que recebia semanalmente em sala de aula.
Depois do que vivi – e ainda sigo vivendo nos meios que atuo – comecei a me perguntar: quem de fato está numa posição alienante entre os estudantes do Brasil? Não é de surpreender que aqueles que nos acusam de alienação, estejam eles mesmos mortificados numa sepultura existencial com o epitáfio escrito: “Livres da conspiração!”. Que ingenuidade. 
Fernando Razente
¹ https://www.youtube.com/watch?v=BDFCuNwg3CY

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