P. Fernandes

Desde o final de dezembro de 2019 foram noticiadas informações sobre o alastramento de uma virose que resultou na nova epidemia global (pandemia) que assola no momento pessoas de todos os países. Inicialmente vimos diversos vídeos mostrando a provável origem da contaminação pelo coronavírus COVID-19 que teria iniciado pela ingestão de carne de animais selvagens, como o morcego, por habitantes chineses da região sul do pais resultando no primeiro caso iniciado na cidade de Wuhan na China.

O consumo de animais selvagens pela população devido a tradição alimentar da população da região ou por pura necessidade de comida, tem suas origens na grande fome que assolou a China durante o período de 1958 a 1962, conforme narrado no livro A grande fome de Mao, quando o presidente do Partido Comunista Chinês, Mao Tse Tung, conseguiu com seu socialismo científico e planejamento centralizado acabar com a vida de 45 milhões de chineses por estafa de trabalho em fazendas coletivas e por inanição.

Mas não é somente vírus exóticos que são os riscos relacionados com alimentos de origem animal. A maior interação de homem e animais de criação com o desenvolvimento da agropecuária a cerca de 11.000 anos foi propícia à transferência de patógenos (vírus, bactérias, fungos, protozoários) do animal doente para o homem.  De acordo com o historiador Geoffrey Blainey no livro Uma Breve História do Mundo,

O trato diário com os novos rebanhos domesticados provavelmente expos as pessoas a doenças que, até então, estavam confinadas a esses animais. Uma forma de tuberculose veio com o leite das vacas e das cabras; o sarampo e a varíola foram transmitidos do gado para as pessoas que cuidavam dele, pela ordenha ou ingestão de sua carne; uma forma de malária provavelmente veio das aves, e a gripe veio dos porcos e patos

Atualmente outras doenças animais de importância epidemiológica denominadas zoonoses, (incluindo parasitas como tênia, que no homem desenvolve cisticercose em órgãos como cérebro; e o T. Cruzi, causador de Doença de Chagas que quando ingerido é bem mais letal que outras vias como a vetorial da picada de barbeiro) são transmitidas pela ingestão de carne de animais contaminados, e são de controle e vigilância constante nos mecanismos de fiscalização e inspeção de produtos de origem animal.

É obrigatório por lei que o abate de animais, como bovinos e suínos e aves, só seja feito com autorização do SIF, Sistema de Inspeção Federal, em estabelecimentos registrados e sob supervisão de Inspetores Veterinários oficiais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. Inspeções antes (ante mortem) e após o abate (pos mortem) do animal avaliam sua condição de saúde visando garantir a inocuidade dos alimentos produzidos, garantindo a ausência de agentes patogênicos para o homem.

Os produtos inspecionados e aprovados recebem o selo SIF (aquele selo impresso ou carimbado que vemos nos produtos como carnes, queijos, iogurtes, mel, pescado e outros) e podem ser comercializados em todo o território nacional e também exportados. Inspeções de produtos animais a nível estadual e municipal, pelas suas respectivas secretarias estaduais e municipais de agricultura, tem limitação de comercialização dentro do estado ou município.

O recém elaborado SELO-ARTE de produtos animais inspecionados pelos estados e pelo Distrito federal permite menos burocracia e maior flexibilidade de comercialização de produtos regionais artesanais predominantemente de elaboração manual e de matérias-primas locais, passando esses produtos a ter permissão de sua comercialização em todo o país.

P. Fernandes é farmacêutico e trabalha na inspeção de alimentos e medicamentos.

1 COMENTÁRIO

  1. O controle sanitário no Brasil é bem rigoroso. Assim, o consumidor deve assumir sua responsabilidade quando escolhe produtos “clandestinos” ao invés dos regulamentados. Quanto ao Covid-19, aguardamos a descoberta da real origem e dos fatores de transmissão. Obrigada pelas informações disponibilizadas.

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