D. A. Carson escreveu em O Cristão Verdadeiro:”O fato bruto é que Paulo está contente em ambas as situações, porque seu contentamento não depende em nada das suas circunstâncias. é focado em tudo que tem em Cristo Jesus.” [p. 165.].

D. A. Carson é professor pesquisador do Novo Testamento na Trinity Evangelical Divinity School e Mestre em Divindade pelo Central Baptist Seminary. Além disso, é Ph.D em Novo Testamento pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Minha experiência de ler seu livro O Cristão Verdadeiro publicado pela Editora Hagnos, foi como sentar aos pés de um gigante em teologia para ouvir atentamente cada palavra. Enquanto eu passava os olhos nas páginas, lembrava-me de sua voz, que ouvia nas ministrações gravadas e postadas no Youtube.

Na obra, Carson faz uma exposição sistemática da epístola de Paulo aos Filipenses. O autor buscou extrair o máximo de cada linha paulina, inserindo as palavras no seu contexto cultural e linguístico, para melhor instrução do leitor. Como de praxe, meu objetivo agora é também fazer um trabalho de extração, retirando de tantas páginas encharcadas de sabedoria bíblica, algum ensinamento em específico para reflexão. Escolhi, portanto, falar do que Carson, através de Filipenses, nos ensina sobre o tesouro do contentamento.

Comecemos a reflexão com uma simples pergunta: o que nos falta?

Essa pergunta me inquieta todos os dias, pois para cada 10 palavras que troco com alguém – algumas minhas e outras do fulano – metade parecem ser de reclamação e insatisfação. As coisas parecem nunca estar no eixo correto, e nós nunca estamos contentes. O tempo parece não se encaixar em nossas atividades, os planos não acontecem da forma prevista e os desejos não são satisfeitos; o dinheiro parece não ser suficiente para as nossas necessidades, o curso que decidimos fazer não é lá aquelas coisas que pensávamos que era, o trabalho e a rotina seriam facilmente trocados por semanas de férias, muito mais agradáveis.

Diante de tantas pessoas dizendo que as coisas estão sempre fora do eixo, eu me pergunto: já que é assim, quando as coisas vão ficar bem? Nunca, é a reposta. Nunca estaremos contentes enquanto repousarmos nossa satisfação e/ou contentamento nas circunstâncias.

Foi especialmente isso que o Apóstolo Paulo aprendeu e transmitiu aos cristãos filipenses quando escreveu:“[…] aprendi a viver contente em toda e qualquer situação, tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” [Fl 4.11-13].

“A base máxima da nossa alegria” escreve Carson “jamais poderá ser nas circunstâncias…”. O motivo é que Deus nos criou para nos regozijarmos sempre N’Ele, mas se “nossa alegria é derivada principalmente das circunstâncias, então, quando as circunstâncias mudarem, estaremos desgraçados.”.

Em outras palavras, seremos bipolares, inseguros, confusos, instáveis na fé, no humor e na alegria. Deus não deseja que seus filhos sejam irregulares assim. Sabendo disso, precisamos aprender como – assim como Paulo – encontrar um sólido chão onde fixar nossa satisfação para poder dizer:“…aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.”

O Apóstolo Paulo aprendeu a viver sob quaisquer circunstâncias sem reclamar ou murmurar, sem ser descontínuo e intermitente, quando baseou sua satisfação no que ele tem em Cristo. Carson escreveu que o contentamento de Paulo “[…] é focado em tudo que tem em Cristo Jesus.”. Por isso, Paulo encerra sua declaração dizendo que seu contentamento é resultado do fortalecimento que recebe do Senhor. Isso é, Paulo vivia acima das circunstâncias, pois seu deleite de vida estava fundado no que ele possuía da parte de Deus em Cristo. Ali estava o que ele realmente precisava e que era superior a qualquer situação.

Agora, a pergunta final é: o que Paulo e todos os crentes pela fé tem em Cristo? Deixo a resposta com as precisas palavras do mestre Carson: “[…] todos os homens e mulheres redimidos desejarão se alegrar no Senhor. Nossos pecados foram perdoados! Fomos declarados justos, porque outro carregou nossa culpa. Recebemos o dom do Espírito, o penhor da herança prometida que será nossa, quando Jesus voltar. Somos filhos do Deus vivo. Nossos ‘setenta ou oitenta anos’ podem estar carregados de dificuldades, mas a eternidade nos aguarda, assegurada pelo Filho de Deus. Veremos Cristo face a face e passaremos a eternidade na mais pura adoração e em santidade consumada.”

Todas essas verdades estavam na mente de Paulo, seja quando ele recebia donativos das igrejas ou quando estava sendo açoitado por perseguidores. Na humilhação da nudez, lá essas verdades lhe davam alegria. Na comunhão com os irmãos, lá essas verdades lhe davam alegria. Essas verdades transpassavam qualquer circunstância.

Ainda hoje, são essas verdades que nos tornam capazes de abandonar as reclamações e inconstâncias de humor para vivermos satisfeitos e vivermos acima das circunstâncias. São essas verdades que nos fazem responder corretamente a pergunta de quando as coisas vão ficar bem: “Se eu tenho Cristo, eu tenho já estou bem, eu tudo em minha vida.”

 

 

Sobre o autor:

É Conservador Doyeweerdiano, Historiador, atuante com rádio/comunicação, assessoria e redação publicitária. É escritor de artigos de opinião e matérias jornalísticas para jornais do Paraná, Minas Gerais e Pará. 

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