O mito, as viagens e o que deve ser levado a sério – e o Coronavirus

O Inconveniente fez uma abordagem sobre o Cov-19 no início da pandemia afirmando o Brasil estar preparado para uma situação abrangente, sem, no entanto, esconder o temor que tal situação leve a uma desordem civil nos centros urbanos, a exemplo da grande paralisação dos caminhoneiros.

Então hoje trazemos o questionamento se isto é afinal uma questão de sobrevivência, o cenário atual e um prognóstico da evolução da situação, com dicas para minimizar os efeitos em sua vida diária.

Cenário atual

Uma matéria da Época Negócios informa que itens como máscaras de proteção respiratória e álcool em gel esgotaram na maioria das farmácias da capital do estado de São Paulo. Isso foi após o anúncio do primeiro caso brasileiro de coronavírus confirmado na cidade, na manhã de quarta-feira, dia 26 (um dia após termos noticiado que o Brasil seguia livre de casos positivos).

A escassez de álcool e máscaras preocupa os adeptos da cultura prevencionista e aqueles que fazem parte dos grupos de risco da doença, como idosos.

Segundo a matéria, as máscaras faciais já estavam em falta na maioria dos estabelecimentos do país há cerca de um mês, desde que estouraram as notícias sobre o surto de coronavírus na cidade chinesa de Wuhan.

De acordo com o Grupo DPSP (Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo), as vendas de máscaras e de álcool gel já tinham aumentado, respectivamente, 53,5% e 172% em fevereiro (dados levantados até o dia 25) em relação ao mesmo período do ano passado. O recorde no aumento foi registrado no Distrito Federal, onde a procura por máscaras e álcool em fevereiro quase triplicou (+289,3% e 238,5% cada). Segundo o presidente executivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácia e Drogarias (Abrafarma), Sérgio Mena Barreto, o aumento repentino da demanda no Brasil e as restrições à exportação do produto pelo governo chinês são os principais responsáveis pela baixa oferta atual das máscaras no Brasil.

A maioria das máscaras do tipo são produzidas na China, epicentro do surto do vírus. Para proteger a população chinesa, o governo local determinou que as empresas do setor priorizassem o mercado interno. Assim, países como o Brasil sentem agora a falta de um produto que não é comumente produzido aqui.

Já a produção nacional de álcool gel é muito maior, mais fácil de reabastecer. Se está em falta, é pontual e logo deve ser reposto. A Abrafarma descarta futuros aumentos especulativos dos preços dos itens pelo setor, mesmo que a demanda continue crescendo.

Prognóstico

É possível que enfrentemos crises pontuais de abastecimento de materiais de higiene e alimentos em centros urbanos onde houverem casos com testes positivos para o Cov-19. Longas filas em supermercados e farmácias superlotadas podem fazer parte do quotidiano brasileiro nestas cidades, a exemplo de cidades chinesas e italianas.

Fato é que altera toda a rotina normal do cidadão, desde transporte público, tráfego de veículos privados e eventuais pontos de checagem como nos países com diversos casos confirmados da doença.

Sobrevivencialismo

O bom nome do verdadeiro sobrevivencialismo vem se manchando em pontos onde a realidade se mistura com a ficção, ao estilo de The Walking Dead e Independence Day. Devemos a isto o fato de não ser levado a sério no país, no entanto ganha a cada dia mais adeptos. Na prática, trata-se de prevenção e manutenção de itens em pronto emprego – um gerenciamento de risco.

Ter um plano B não é algo que beira a teoria da conspiração e pode ser muito útil.

Análise de risco

Em análise de risco chamamos a isto “curva de aceitabilidade”, ou seja, criamos um plano cartesiano onde o eixo y (vertical) seja a gravidade da situação e o x (horizontal), a frequência que isto já ocorreu e posicionamos o nosso evento hipotético com base nestes dados, para saber se é aceitável correr o risco ou é necessária uma ação a respeito.

No caso do Cov-19, temos uma posição fora da curva de aceitabilidade, pela frequência que um caso positivo resultou em óbito. No entanto, se observar o comparativo a seguir sobre a perspectiva do número de óbitos em comparação no mundo, verá que as doenças cardiovasculares e os acidentes de carro ultrapassariam em muito a curva de aceitabilidade de qualquer análise de risco e no entanto estamos infinitamente mais expostos a estes riscos do que ao coronavirus sem muitas vezes qualquer tipo básico de prevenção (nem cinto de segurança, nem capacete com a jugular fechada).

Dicas

Pensando nisso, preparamos algumas dicas simples para prevenir e lidar com a situação:

  • Acompanhe o noticiário com mais de uma fonte, para evitar um alerta falso
  • Abasteça seu veículo antes de chegar a meio tanque, garantindo uma maior autonomia sem a necessidade de reabastecer, possibilitando mesmo viagens curtas
  • Pense em um local menos populoso do que um centro urbano e planeje passar alguns dias por lá caso as coisas compliquem
  • Adquira, quando possível, itens de proteção básica como a máscara N95 e álcool para as mãos, mantendo em fácil acesso
  • Evite compras semanais, faça uma compra maior; isto te fará frequentar menos vezes um possível local de contágio e ainda garantirá mantimentos mínimos em caso de uma “corrida” por alimentos
  • Prepare-se mentalmente para situações hipotéticas como uma quarentena estipulada para a sua cidade – mesmo que não aconteça, e é realmente pouco provável, isso deixará sua mente em alerta subconsciente para perceber detalhes que normalmente passariam desapercebidos
  • Evite compartilhar objetos e prefira ambientes abertos e ventilados, mesmo com temperaturas menores
  • Policie para que não leve a mão ao rosto após cumprimentar outra pessoa sem antes higienizar corretamente
  • Tenha um plano, mas não entre em pânico, a vida segue seu curso

Informação atual

Existem sites onde é atualizado em tempo real a propagação do Cov-19 no mundo à medida que casos vão sendo confirmados, assim como canais e grupos de discussão sobre este e outros assuntos de interesse para a sobrevivência urbana na definição apresentada.

Seguem algumas opções:

Na internet os sites Inphografics e Gisanddata, no Telegram os canais COVID-19 UPDATE + NEWS e DIA D Sobrevivencialismo Urbano 72h.

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