Leio hoje, na descrição de uma foto (publicada em 2017) do último dia de aula de uma historiadora (preservarei a identidade) formada pela Universidade Estadual de Maringá (PR), a seguinte sentença: “Já dizia o muro da UEM ‘Stalin matou foi pouco’.” [Publicado no Instagram].

Na discussão historiográfica sobre crimes políticos contra a dignidade humana em geral, falamos muito sobre como o Nazismo através do Holocausto – e outras próprias aberrações – foi terrível, pavoroso e sombrio; e como é inaceitável até mesmo a menção, quanto mais a inclinação individual de qualquer historiador quanto à viabilidade das políticas nazistas em algum outro momento da história.

Historiadores responsáveis da Segunda Guerra Mundial dizem que o regime nazista de Adolf Hitler (1889-1945) foi responsável pela morte de aproximadamente 19 milhões de pessoas. A maioria das vítimas foram eslavos (12,5 milhões de mortos) e judeus (aproximadamente 6 milhões de mortos). Os fatos assombram e o regime é reprimido com corretíssima postura na academia.

Contudo, muitos historiadores – como a historiadora paranaense – não consideram as políticas Comunistas tão obscuras e maléficas quanto às do Nazismo. Falando apenas sobre números, sabemos segundo “O Livro Negro do Comunismo: Crimes, Terror, Repressão” que o regime comunista foi responsável por aproximadamente 94,4 milhões de mortes ao redor do mundo, sendo a maioria delas na China: 65 milhões.

Como uma historiadora, católica, formada numa instituição de renome do Paraná, pode defender publica e irresponsavelmente um regime totalitário e assassino como o  do revolucionário comunista Josef Stalin (1878-1953) sem nenhum constrangimento?

Como a historiografia brasileira ainda pode sem escrúpulos se apoiar, quase que exaustivamente, em Eric Hobsbawm (1997-2012) – historiador marxista britânico que justificou a morte de milhões, caso o sonho comunista tivesse dado certo (https://www.burkeinstituto.com/blog/historia/eric-hobsbawm-e-a-matanca-justificada-em-nome-do-paraiso-pos-apocaliptico/)?

Ainda mais, como uma instituição educacional pública como a UEM permitiu que em seu muro (naquele ano, não sei se ainda permanece) estivesse uma inscrição tão hedionda quanto pintar a suástica?

Seria preferível que o muro da UEM, e a historiadora, lembrassem os futuros alunos de História sobre um evento muito mais educativo: a queda do Muro de Berlim, ocorrido entre 1949 e 1961, quando mais de 2,5 milhões de pessoas fugiram do leste comunista para o oeste capitalista alemão, em busca de uma nova vida.

As autoridades comunistas determinaram a construção de um intransponível muro para evitar isso, e na noite de 13 de agosto de 1961 o muro de Berlim foi erguido, separando definitivamente a Alemanha Socialista (Oriental) da Alemanha Capitalista (Ocidental). Sua existência perdurou entre 1961 e 1989, e quase parou todos os movimentos de emigração por mais de um quarto de século.

Após muita pressão, o governo comunista da parte oriental anunciou em 9 de novembro de 1989 que alguns cidadãos de determinada região poderiam visitar a Alemanha Ocidental Capitalista e Berlim Ocidental.

Multidões de alemães orientais subiram e atravessaram o muro juntando-se aos alemães ocidentais do outro lado, em uma atmosfera de celebração. Gozavam de liberdade, e alívio das duras cordas do comunismo.

Ao longo das semanas seguintes, partes do Muro foram destruídas por um público eufórico. Tempos depois, equipamentos industriais foram usados para abrir o muro e decretar a queda.

A queda do Muro de Berlim foi um marco que despojou a face branda e amável do comunismo, abriu o caminho para a reunificação alemã e foi formalmente celebrada em 3 de outubro de 1990 como o evento que pôs fim a Guerra Fria e a utopia comunista.

Esse evento, que deveria ser relembrado, registrado e estudado, foi uma clara demonstração de como os alunos de história devem olhar para o comunismo: não com apreço, nem com ares e linguajar apologético; mas aversão. Stalin não matou poucos, Stalin matou muitos filhos de Deus, mães, pais, filhos, famílias, laços profundos de amor e esperança. Foi isso que Stalin matou.

Escrevo esse “protesto” porque sei que não se trata apenas de uma publicação infeliz e isolada, mas de algo que é repetido e repetido por muitos acadêmicos do curso História; sem nenhuma pena ou respeito aos mortos que a própria história por teorias seletivas não contou, e assim zomba das vítimas, através dessa profissão digna, mas manchada por esses futuros mestres do ensino.

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