No Brasil apenas dois anuários brasileiros de segurança pública trazem dados sobre o desaparecimento de pessoas. São dos anos 2018 e 2019. Dos 26 estados da federação, apenas um possui delegacia especializada em crianças desaparecidas: o estado do Paraná, contando com o SICRIDE, um serviço integrado dentro da Polícia Civil com especialistas que fazem projeções de idade com base em técnicas que utiliza características físicas de parentes.

A situação de pandemia pode agravar potencialmente a situação do desaparecimento de pessoas quando há uma pressa em concluir o manejo de cadáveres mesmo não identificados, incluindo cremação em casos de suspeita de covid-19. Infelizmente não contamos com informações precisas em território nacional, sendo por vezes necessário realizar um estudo no exterior e buscar compatibilidades com a nossa realidade. Para o desaparecimento de crianças em específico, a realidade brasileira não é muito diferente da Americana, onde cerca de 80.000 crianças desaparecem todos os anos.

Um estudo publicado pelo gabinete do procurador geral do estado de Washington em 2018 abrangendo 44 dos 50 estados Americanos examinou 833 casos envolvendo assassinatos e sequestros de crianças entre 1968 e 2002.

A conclusão do estudo aponta para a necessidade de uma comunicação e resposta imediatas nos casos em que há desaparecimento de crianças. Isto também se aplica em solo brasileiro.

Principais apontamentos:

  • O tempo é o inimigo
    • Em cerca de 60% das crianças desaparecidas estudadas, estima-se que tenha passado no máximo duas horas entre o momento em que alguém percebeu que a criança estava desaparecida e a hora em que a polícia foi notificada.
    • Em 76% dos casos estudados, a criança estava morta três horas após a o sequestro – sendo que em 88,5% dos casos a criança estava morta dentro 24 horas.
  • O assassino é estatisticamente tão propenso a ser um amigo ou conhecido quanto um estranho
    • Vítimas e assassinos eram estranhos em 44% dos casos estudados.
    • Vítimas e assassinos eram amigos ou conhecidos em 42% dos casos estudou.
    • Dos casos estudados, 14% envolveram pais ou pessoas íntimas matando a criança.
  • O perfil do assassino geralmente é recorrente, com crimes anteriores contra crianças e agressão sexual
    • Quase dois terços dos assassinos tiveram detenções anteriores por crimes violentos, com pouco mais da metade dos crimes anteriores cometidos contra crianças.
    • O uso de pornografia pelos assassinos como um gatilho para o assassinato é um achado significativo, e o principal motivo para o sequestro de crianças nos casos estudados foi a agressão sexual.
  • Idade da vítima
    • Em 74% das crianças desaparecidas estudadas, a vítima era do sexo feminino, com idade média de 11 anos.
  • É provável que o assassino seja alguém identificado no início da investigação
    • Há uma probabilidade de o nome do assassino aparecer durante a primeira semana ou nos estágios iniciais da investigação.

Entendemos tratar-se realmente de um fenômeno de segurança pública, mas muitas vezes a solução não se encontra em políticas governamentais e ações do estado, mas sim no conhecimento da situação pela sociedade civil, compreendendo suas causas, desenrolar e desfecho, sendo possível trabalhar assertivamente em uma prevenção e respostas à altura do problema.

Sendo assim, é altamente recomendado:

  • Famílias e comunidades devem garantir que as crianças sejam supervisionadas – mesmo que estejam no próprio quintal da frente ou no bairro. As crianças não são imunes ao sequestro porque estão dentro ou perto de casa. Aproximadamente um terço dos desaparecimentos estudados aconteceu a meio quarteirão da casa da vítima. Mais da metade dos sequestros do estudo ocorreu dentro de três quarteirões da cidade da casa da vítima.
  • As crianças devem ser ensinadas a nunca se aproximar de um veículo. Quer o ocupante seja um estrangeiro ou não, as crianças não devem se aproximar do carro – não importa o que o ocupante diga ou peça.
  • Famílias e comunidades devem estar cientes de comportamentos incomuns em seus bairros. Muitos sequestros de crianças são testemunhados por pessoas que não percebem que um crime está sendo cometido.
  • Quando uma criança estiver desaparecida, ligue à polícia imediatamente. Uma resposta imediata a uma criança desaparecida ou sequestrada pode significar a diferença entre vida e morte.

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